Um relatório, divulgado esta terça-feira pela agência francesa do medicamento, concluiu que o caso da morte de uma pessoa, num ensaio clínico em França, com um medicamento do laboratório português Bial, "aparece claramente ligado à molécula testada", mas conjugado com outras circunstâncias.

O documento, elaborado por uma comissão externa de peritos, ressalva, no entanto, que "a toxicidade própria da molécula", conjugada com "estruturas celulares cerebrais" da pessoa é "a hipótese mais verosímil", para justificar o acidente no ensaio clínico.

Numa reação, a farmacêutica indicou que "está a analisar o relatório", considerando, porém, que "não é conclusivo sobre a causa da morte do voluntário", na sequência do teste clínico, que decorreu em meados de janeiro, em Rennes.

De acordo com o relatório, a molécula "não podia, 'a priori', ser considerada como um produto de risco, segundo os critérios enunciados nas recomendações em vigor".

Apesar de a brochura, sobre o medicamento, conter "um grande número de erros" e "imprecisões", "os dados transmitidos não incluem informações, nomeadamente no plano toxicológico, de modo a fazer crer [que existisse] um risco particular, após uma primeira administração", em humanos, acrescenta o relatório.

O voluntário em causa entrou em morte cerebral, depois de internado num hospital. Outros cinco participantes foram também hospitalizados, mas tiveram alta posteriormente.

O ensaio clínico, na fase 1, visava testar um nova molécula, com atuação a nível do sistema nervoso central, com efeitos provavelmente como analgésico ou de alterações de humor.