Alguns trabalhadores da Linha de Saúde 24 ameaçam parar este serviço contra o que classificam de «ameaça de despedimento» dos funcionários que não aceitem receber menos por hora, conforme lhes terá sido proposto pela empresa.

Esta tomada de posição surge depois de quinta-feira vários trabalhadores da Linha de Saúde 24 se terem reunido em plenário, durante o qual discutiram «a constante ameaça de substituição de cerca de 75 por cento dos 400 enfermeiros» que asseguram esta linha de atendimento telefónico.

Os trabalhadores queixam-se de estar a ser «ameaçados diretamente com a represália mais severa, o despedimento, esquecendo anos do empenho que conduziram ao crescimento exponencial da linha», conforme afirmam em comunicado citado pela Lusa.

Em causa está, segundo afirmam, a intenção da administração da Linha de Saúde 24 de baixar o valor do preço pago por hora.

Contactada pela Lusa, a LCS, responsável pela linha Saúde 24, recorda que os profissionais que colaboram com a empresa são «possuidores de contratos de prestação de serviço», o que não impediu as negociações «em curso» com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

A empresa reconhece que está a ser solicitado aos profissionais da linha uma redução do valor pago por hora, enquadrando o pedido nos «necessários esforços para contribuir de forma positiva na redução da despesa em saúde».

Num esclarecimento envidado à Lusa, a LCS revelou que este compromisso traduzir-se-á em 2014 na redução do valor unitário a pagar pelo Estado em cerca de 70 por cento, face ao valor original.

«Para que tal desiderato seja possível, torna-se por conseguinte inevitável a adequação da estrutura de custos ao novo contexto financeiro em que a linha vai ter de operar. É portanto neste quadro que a LCS está a desenvolver esforços no sentido de renegociar os todos os fornecimentos e serviços externos, onde se incluem também os honorários dos enfermeiros comunicadores que prestam serviço à Linha, que terão uma redução prevista de 20 por cento», adianta a empresa.

Assim, de acordo com a LCS, o valor hora base agora proposto cifra-se em sete euros, «ainda assim muito acima da média praticada tanto no setor público como no privado».

Márcia Silva, uma das funcionárias que não aceita a redução da hora de trabalho, disse à Lusa que a ameaça de despedimento «já está a ser efetivada».

Esta enfermeira baseia-se em relatos de colegas que alegadamente terão sido informados de que «iriam receber a carta de rescisão do contrato, porque não aceitaram assinar a adenda» que pressupõe a redução do valor por hora.

Outra situação que denunciou foi a retirada de uma enfermeira de todos os turnos até ao final de janeiro, alegadamente pelo mesmo motivo.

A administração está «a castigar quem não esteja de acordo com a atitude da empresa», disse, afirmando que os funcionários estão «dispostos a parar a linha».

No comunicado que saiu do plenário lê-se que «as pessoas que trabalham na Saúde 24, mantendo a permanente disponibilidade para negociação, têm sido alvo de constantes ameaças e tentativas de coação para aceitar condições que humilham o seu trabalho diário».

«Mantém-se igualmente a constante ameaça de substituição de cerca de 75 por cento dos 400 enfermeiros, tendo a LCS já iniciado processo de recrutamento de novos enfermeiros, sem qualquer experiência na triagem de sintomas e encaminhamento», acrescentam.

Por seu lado, a LCS diz confiar que «os prestadores de serviço demonstrarão mais uma vez o seu elevado sentido profissional e de compromisso com os valores da linha e que aguardarão com serenidade pelo desfecho das reuniões que estão a decorrer com o Sindicato» dos Enfermeiros Portugueses.