Uma dúzia de colaboradores da Linha de Saúde 24 marchou esta segunda-feira entre a Autoridade para as Condições de Trabalho e o Ministério da Saúde, tendo pedido a intervenção do ministro sobre a «grave situação» que o serviço atravessa.

«Por que será que Paulo Macedo não se pronuncia sobre a Linha de Saúde 24?», lia-se num dos cartazes que alguns colaboradores deste serviço levaram até ao Ministério da Saúde.

Estes trabalhadores reuniram-se frente à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), por considerarem que este é «o ponto de partida e o Ministério da Saúde o ponto de chegada», como disse à Lusa Tiago Pinheiro, da Comissão Informal de Trabalhadores da Linha Saúde 24.

«Estamos contra os despedimentos sumários a que as pessoas têm sido sujeitas e o silêncio das autoridades sobre uma ilegalidade que ocorre no serviço público», adiantou.

Segundo Tiago Pinheiro, todos os colaboradores cujos contratos terminam em janeiro e não aceitem a redução salarial estão a ser convidados a sair.

Foi o que aconteceu com Cátia Carvalho, enfermeira e colaboradora da Linha Saúde 24 há quatro anos.

«O meu contrato acabou a 4 de janeiro e, como me recusei a assinar a adenda para a redução do vencimento, retiraram-me os turnos todos, como retaliação», contou à Lusa.

Cátia Carvalho recusou por «não estar de acordo com as condições impostas».

Além de estar contra a redução do valor pago por hora, para os sete euros brutos, esta enfermeira protesta contra a precariedade dos contratos, que diz serem «falsos recibos verdes», e defende «contratos que dignifiquem a profissão».

Segundo Tiago Pinheiro, os colaboradores têm até 17 de janeiro para responder se aceitam a redução salarial, estando já a empresa a preparar o recrutamento de 64 enfermeiros para substituir os que não aceitem.

Sobre a participação de apenas uma dúzia de pessoas na marcha, Tiago Pinheiro disse que tal se deveu porque a empresa que gere a linha (LCS) terá convocado para a mesma hora reuniões de esclarecimento com alguns trabalhadores.

Já frente ao Ministério da Saúde, os manifestantes gritaram palavras de ordem e apelaram à intervenção de Paulo Macedo para resolver o problema da Linha de Saúde 24 que, como se lia num cartaz, «está doente».