O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) alertou hoje para a probabilidade de aumento do risco de transmissão de infeções hospitalares devido à falta de desinfetantes para superfícies e para as mãos, material que falta frequentemente nas unidades.

«Um maior número de doentes, um menor número de enfermeiros e esta falta de desinfetantes podem levar ao aumento da transmissão de infeções hospitalares», alertou Nuno Manjua, da direção regional de Faro do SEP, lembrando que em 2011 ocorreram 11.357 mortes associadas a infeções hospitalares, que representam 24% dos óbitos ocorridos nos hospitais por todas as doenças.

Em conferência de imprensa, aquele responsável disse ainda que há falta de material básico - como agulhas, seringas, luvas, fraldas ou lençóis -, de medicamentos, entre os quais, antibióticos, analgésicos e medicação para doentes oncológicos, e a existência de equipamento obsoleto, como é o caso dos endoscópios (aparelhos que permitem ver o interior do organismo).

«Tudo isto é uma mistura explosiva que tem consequências para os doentes na diminuição da qualidade e segurança dos cuidados prestados e que se traduz em menor disponibilidade dos enfermeiros e maior probabilidade de feridas nos acamados, quedas, erros de medicação e aumento da probabilidade de transmissão de infeções hospitalares», resumiu.

Segundo Nuno Manjua, tem-se registado nas unidades hospitalares algarvias um aumento do número de doentes internados por serviço, sem que isso seja acompanhado pelo reforço de enfermeiros, como é o caso da unidade de Portimão, em que os antigos refeitórios foram substituídos por enfermarias, sem aumento do número de enfermeiros.

Como exemplos, referiu os serviços de Ortopedia e Cirurgia 3 A de Portimão e os serviços de Medicina 3 e Oncologia em Faro, acrescentando que há necessidade, no Algarve, de 350 enfermeiros, no conjunto dos hospitais e unidades de saúde primárias.

Já o presidente do SEP, José Carlos Martins, calculou que estejam em falta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal cerca de 25 mil enfermeiros, lamentando que grande parte dos profissionais estejam a emigrar, a optarem por trabalhar nas unidades privadas ou mesmo a desistir da profissão.

Aquele dirigente observou que o Algarve é «o espelho» do país, onde a 31 de dezembro de 2013 existiam 38.809 enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde (SNS), menos 717 do que no final de 2012 e menos 1.231 do que no final de 2011, uma «contradição», já que «em situações em crise, aumentam as necessidades em saúde».

Segundo José Carlos Martins, há casos de unidades com dificuldades em atribuir férias aos enfermeiros, como é o caso do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, situações em que há enfermeiros a fazerem dois turnos seguidos, como em Santa Maria da Feira, ou em que vários blocos funcionam apenas com dois enfermeiros.

«No nosso SNS, neste momento, por ausência de recursos e meios, a qualidade e segurança dos cuidados de saúde que têm muitos serviços é questionável e isto deve-se às medidas do Governo», concluiu.