Estudantes de enfermagem revelam ter elevados níveis de ansiedade e stresse, causados pela falta de competências para determinados procedimentos e pelo medo dos riscos associados ao profissional de saúde. As conclusões são de um estudo levado a cabo por Alfredo Cruz Lourenço da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

A investigação diz que os estudantes se referem ao «receio de não terem as competências totais que exigem as situações complexas que enfrentam», cita a Lusa. Trata-se de competências técnicas, mas sobretudo relacionais, destacando-se o receio de abordar os familiares dos doentes.

As situações mais stressantes, de acordo com os 1.805 alunos da ESEnfC, prendem-se com «fazer mal o trabalho e prejudicar o doente», «picar-me com uma agulha infetada» e «causar dano físico ao doente».

Segundo o estudo, as notas do semestre e atividades extracurriculares também influenciam os níveis de stresse. «Os estudantes com melhor aproveitamento escolar são aqueles que apresentam maiores níveis de stresse, o que poderá indicar que, à medida que avançam na escolaridade, vão tomando mais consciência da complexidade e exigência das situações clínicas», pode ler-se também na investigação.

Paralelamente, regista-se um maior controlo emocional que se manifesta em menor ansiedade à medida que se avança no percurso académico.

O autor do estudo é especialista em Psicologia e agora doutorado em ¿Novos Contextos de Intervenção Psicológica em Educação, Saúde e Qualidade de Vida¿.