O movimento Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO) está a ter efeitos em vários hospitais, estando alguns serviços a ser assegurados por outros profissionais de saúde.

Os enfermeiros especialistas deixam a partir de hoje de prestar cuidados diferenciados em protesto contra o não pagamento desta especialização.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, que apoia os profissionais neste protesto, existem cerca de 2.000 enfermeiros que, apesar de serem especialistas, recebem como se prestassem serviços de enfermagem comum.

 

Aveiro e Guimarães com blocos encerrados

Os blocos de partos dos hospitais de Aveiro e Guimarães estão encerrados devido ao protesto dos enfermeiros especialistas, disse a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

Ana Rita Cavaco adiantou que outros blocos de partos não encerraram, mas estão a funcionar com enfermeiros tarefeiros ou apenas com médicos.

 

Hospital São Bernardo (Setúbal)

A unidade de grávidas de alto risco do Hospital São Bernardo, em Setúbal, vai encerrar, esta manhã, por falta de enfermeiros especialistas.

De acordo com a enfermeira Susana Surribas, que integra o EESMO, as grávidas de alto risco vão ser transferidas para outras unidades do Hospital de São Bernardo ou para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Também as grávidas que pretendem fazer interrupções voluntárias de gravidez estão já a ser transferidas, para a Clinica dos Arcos, em Lisboa, adiantou a mesma fonte.

A urgência de obstetrícia do Hospital São Bernardo está a ser assegurada por médicos devido à recusa de prestação de cuidados diferenciados pelos enfermeiros especializados em obstetrícia.

 

Centro Hospitalar Gaia/Espinho

As grávidas de risco internadas no Centro Hospitalar Gaia/Espinho estão a ser acompanhadas, desde esta manhã, apenas pela enfermeira-chefe, que habitualmente não tem utentes atribuídas.

Joana Gonçalves, enfermeira daquela unidade do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, afirmou aos jornalistas à porta do hospital que, “de toda a equipa de 41 enfermeiras, 23 estão na condição de ter especialidade [em saúde materna] mas de ter um contrato com o hospital como enfermeiros de cuidados gerais”.

Em termos práticos, disse, é a “enfermeira-chefe, que habitualmente não tem utentes atribuídas”, que está, esta manhã, a assumir as grávidas de alto risco, porque, no primeiro turno do dia, a enfermeira destacada para aquele serviço recusou prestar aquele tipo de cuidados, apesar de ter a especialidade.

Essa profissional que se recusou a atender as grávidas de risco, adiantou, “foi já avisada que vai ser notificada” de uma eventual sanção disciplinar, acrescentou Joana Gonçalves.

“As chefias vão notificar o elemento que não assumiu as grávidas de alto risco. A colega é generalista, tem a especialidade, mas comunicou que a partir de hoje não a vai assumir”, acrescentou.

Questionada sobre quantas grávidas de risco estavam às 08:30 internadas naquela unidade, a enfermeira disse que o serviço dispõe de nove camas, estando três ocupadas, mas que havia mais duas grávidas de risco “para entrar” a qualquer momento.

“Uma enfermeira de cuidados gerais não pode assumir” este serviço, disse, acrescentando que, naquele hospital, as 23 enfermeiras com especialidade, mas contratadas como generalistas, “vão deixar” de prestar cuidados específicos a partir de hoje.

 

Hospital Amadora Sintra

Vários enfermeiros do movimento EESMO estão desde as 08:00 junto ao hospital para apoiar os colegas que a partir de hoje recusam prestar cuidados diferenciados.

Em declarações à agência Lusa, Luis Mós do movimento EESMO explicou que os enfermeiros vão pôr em prática o contrato que têm com o ministério. Ou seja “cumprir as funções de enfermeiro generalista”, disse.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros deslocou-se ao hospital Amadora Sintra, onde estará apenas a trabalhar um enfermeiro tarefeiro, dado que 21 dos 23 enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia se escusam a prestar esta especialização.

Para Ana Rita Cavaco esta situação "põe em causa a segurança da mãe e das crianças".

A bastonária lançou um apelo ao Presidente da República, referindo que as "ordens da saúde já pediram ajuda, porque o país não pode continuar a ignorar que a saúde tem problemas graves de segurança".

"Esta situação [dos enfermeiros especialistas] é uma vergonha para o ministro da Saúde, para o Governo e até o primeiro-ministro está calado", salientou.