A adesão dos enfermeiros à greve de hoje nos serviços de saúde algarvios atingiu os 90 por cento no turno da manhã nos hospitais e superou os 70 por cento nos centros de saúde, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Em comunicado o sindicato refere que houve também alguns casos de adesão a 100 por cento, como é o caso do Centro de Saúde de Alcoutim e do Serviços de Urgência Básica de Loulé e Lagos, enquanto no Centro de Saúde de São Brás de Alportel a adesão dos enfermeiros atingiu os 91%.

Em Silves a adesão alcançou os 74%, em Aljezur 83%, em Portimão 75%, em Lagoa 71%, em Lagos 89% e em Olhão os 53%, enquanto nos Serviços de Urgência Básica de Albufeira e Vila Real de Santo António a adesão atingiu os 67%.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses frisa que «o compromisso dos profissionais com a defesa do SNS e a exigência de melhores condições de trabalho determinará a manutenção das exigências que estão na base desta greve».

Os sindicatos dos Enfermeiros Portugueses e da Função Pública do Algarve convocaram um dia de greve para hoje, iniciada às 00:00, em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na região.

A greve abrange enfermeiros e profissionais da função pública, nomeadamente pessoal administrativo e auxiliares de ação médica. Os médicos afetos à Federação Nacional dos Médicos não participam na paralisação, uma vez que o pré-aviso não foi entregue atempadamente, segundo anunciou o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

Entre os motivos da greve, os enfermeiros destacam a falta de contratação de novos profissionais ou a realização de mais um turno consecutivo pelo mesmo profissional como situações que têm vindo a degradar as condições de trabalho.

De acordo com Margarida Agostinho, do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, há muitos clínicos a abandonar os serviços por reforma ou reforma antecipada, devido às más condições de trabalho, que se traduzem sobretudo na falta de pessoal e de material e tornam difícil manter as pessoas a trabalhar.

Rosa Franco, do Sindicato da Função Pública do Sul, chamou a atenção para o importante papel desempenhado nas unidades de saúde pelo pessoal administrativo e auxiliar e apontou inúmeras falhas nos serviços, desde a recolha do lixo a profissionais obrigados a fazer escalas de 16 horas.

«As instituições de saúde não funcionam sem os auxiliares, principalmente porque fazem parte da equipa multidisciplinar de saúde e sem os auxiliares não há serviço nenhum que funcione», sublinhou.