Por: tvi24 | 27- 7- 2010 16: 43
A Ordem dos Enfermeiros (OE) criticou esta terça-feira o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) por afastar os
enfermeiros dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), alertando para os «riscos» de segurança na prestação daqueles
cuidados de saúde, noticia a Lusa.
Em comunicado, a OE entende que o INEM decidiu de «forma unilateral e sem qualquer
fundamento», afastar os enfermeiros dos CODU, à revelia do parecer da OE sobre esta matéria «tão sensível».
A OE
refere que, aquando da tomada de decisão, o Ministério da Saúde garantiu que, «em caso algum, estaria comprometida a transmissão
de dados clínicos e que estes seriam sempre validados, em tempo útil, pelo médico regulador presente no CODU».
«Lamentavelmente,
têm acontecido diversas inconformidades na transmissão de dados clínicos e só a competência dos enfermeiros tem evitado situações
com consequências mais sérias. Além disso, tem vindo a instalar-se um clima de conflitualidade no momento da transmissão de
dados clínicos que em nada concorre para um ambiente de confiança, absolutamente crucial, para a prestação de cuidados de
emergência», relata a OE.
Segundo a OE, o INEM veio segunda-feira, através de uma circular, «dar o dito por não dito»,
admitindo a transmissão de dados clínicos a profissionais não clínicos e, «mais grave do que isso, admitindo que a resposta
pode não ser imediata quando o médico regulador se encontrar ocupado».
Para a Ordem dos Enfermeiros, tal determinação
«nega uma das determinantes básicas de qualquer sistema de emergência pré-hospitalar», ou seja «a fluidez e celeridade da
gestão da informação clínica veiculada».
A OE considera que se está perante uma determinação do INEM que «compromete
o socorro e que, objectivamente, põe em causa a segurança na prestação de cuidados e a vida das vítimas».
Face ao
exposto, a OE aconselha todos os enfermeiros a exercerem funções numa ambulância SIV a «exigirem que a passagem de dados clínicos
seja efectuada ao pessoal clínico dos CODU, entendendo a OE que o registo dos dados transmitidos só pode ser efectuado por
quem efectivamente os recebe».
«Qualquer inconformidade, relacionada com esta matéria, deverá ser reportada à OE»,
aconselha ainda a OE em comunicado.
Para debater esta questão a OE pediu já uma «audiência urgente» à ministra da
Saúde, Ana Jorge.
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