Os enfermeiros mantêm a greve nacional para a próxima semana, invocando a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Correia Azevedo, disse que a tutela não aceitou a proposta dos sindicatos, nem apresentou uma contraproposta.

José Correia Azevedo falava após uma reunião entre representantes da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros e o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado.

Segundo o dirigente, o Ministério da Saúde pretende avançar com o "processo negocial", mas não indicou quando nem os termos.

Os enfermeiros reivindicam horários de trabalho de 35 horas semanais, atualização gradual, "em três prestações", dos vencimentos e a inclusão da categoria de especialista na carreira.

O Ministério da Saúde alega que "não tem condições para resolver" o que os sindicatos propõem, de acordo com José Correia Azevedo.

O Sindicato dos Enfermeiros entregou no fim de agosto um pré-aviso de greve nacional para os dias 11 a 15 de setembro.

A Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação da greve, mas o sindicato ameaçou, em resposta, fazer queixa ao Departamento de Investigação e Ação Penal.

Um ofício da Secretaria de Estado do Emprego, divulgado no portal da Administração Central e do Sistema de Saúde, refere que o pré-aviso de greve dos enfermeiros não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei.

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) avisou por sua vez na segunda-feira a Ordem dos Enfermeiros que "não é legalmente possível" a suspensão da inscrição na Ordem como enfermeiro especialista "sem que haja suspensão da inscrição como enfermeiro".

Enfermeiros de quatro especialidades diferentes manifestaram intenção de entregar os seus títulos de especialista, em protesto contra a falta de pagamento correspondente à atividade profissional, sendo que, de acordo com a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, citada pela Lusa, vários enfermeiros com especialidade de Saúde Materna já pediram a suspensão dos títulos, ainda que o número de pedidos só deva ser conhecido no fim desta semana.