Dois enfermeiros foram agredidos e outros dois foram alvo de ameaças de agressão, em janeiro, no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho denunciou o Sindicato dos Enfermeiros, nesta quinta-feira.

A vice-presidente do sindicato, Mariana Tomás, disse à agência Lusa que os enfermeiros envolvidos "trabalham na zona de triagem de doentes" e que os incidentes ocorreram depois de os "agressores terem discordado da cor atribuída" no processo.

Das agressões resultaram "braços e costelas partidas e traumatismo craniano", enquanto outros dois "estão a receber apoio psicológico", relatou a dirigente sindical.

A violência nos hospitais é mais comum do que se pensa, o problema é que os enfermeiros não se defendem, as queixas não são apresentadas e as coisas continuam a acontecer", acrescentou.

O hospital prefere remeter-se ao silêncio, assegurando Mariana Tomás que os quatro enfermeiros envolvidos nos incidentes "foram e continuam a ser assistidos no hospital no âmbito da medicina no trabalho".

Até mesmo dentro dos internamentos "há agressões", denunciou ao mesmo tempo que reclama "mais segurança" para os hospitais.

A falta de segurança é mais frequente do que se supõe, porque nem sempre a polícia tem os agentes suficientes para assegurar, mas as agressões acontecem mesmo com a autoridade presente", lamentou.

Através do seu gabinete e comunicação, o centro hospitalar informou "não ter tido conhecimento oficial" dos incidentes, acrescentando que os enfermeiros atingidos "apresentaram queixa às entidades competentes".

O hospital revelou ainda "que já estava a ser preparado um procedimento geral para todos os profissionais" e que estes irão "ter formação em gestão de conflitos", ao mesmo tempo que "melhorarão o espírito de equipa", no que considera ser "uma aposta ativa na prevenção".

A Lusa tentou ouvir a Administração Regional de Saúde do Norte sobre as agressões, mas tal não foi possível até ao momento.

Na terça-feira, no hospital de São João, também no Porto, quatro profissionais de saúde das urgências foram agredidos por utentes.