Cerca de 55% da população das regiões Norte, Centro e Lisboa tem «dois ou mais» fatores de risco vasculares revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) que será apresentado sexta-feira, no Porto, escreve a agência Lusa.

Os principais fatores de risco para as doenças vasculares são os diabetes, a hipertensão, o colesterol elevado, o tabagismo e o excesso de peso. E, na verdade, apenas 15% da população portuguesa escapa a estes riscos, escreve o «Jornal de Notícias». Por isso, cerca de 85% dos portugueses corre o risco de vir a sofrer um AVC ou um enfarte.

«A diferença deste estudo para outros está em ver qual é o número de fatores de risco existentes em cada pessoa. E o número [cerca de 55% em três regiões de Portugal Continental] é alarmante. Pode ser uma pessoa hipertensa que fuma ou uma pessoa obesa com diabetes», descreveu à agência Lusa a coordenadora do estudo «E-Cor», desenvolvido pelo INSP, Mafalda Bourbon.

A especialista vai apresentar os dados do «E-Cor» no 8.º Congresso do Acidente Vascular Cerebral (AVC) organizado pela Sociedade Portuguesa do AVC que se realiza entre hoje e sábado, no Centro de Congressos do Hotel Porto Palácio, no Porto.

Para a especialista, o que é «ainda mais preocupante» é o facto de esta percentagem dizer respeito a fatores de risco como a diabetes, a hipertensão, o colesterol elevado, o tabagismo e o excesso de peso/obesidade, não estando a ser considerados nestes 55% os hábitos de vida como a dieta ou o sedentarismo.

Mafalda Bourbon adianta que «não é faixa etária mais nova [18/35 anos] que regista mais fatores de risco», mas considera já que a percentagem nos adultos/jovens é igualmente «preocupante» até por que é, diz a investigadora, este o setor da sociedade que descura mais a prevenção.

«As pessoas têm de ter noção de que têm de controlar mais a sua saúde. Na faixa 18/34, ninguém está muito preocupado com a saúde. E 20% dos adultos/jovens já têm dois fatores de risco. E os fatores de risco são acumulativos. Quantos mais se tem, a probabilidade de ter um evento cardio-cerebro-vascular aumenta exponencialmente», descreveu.

Segundo a investigadora do INSP o que distingue o «E-Cor» de outros estudos é o facto de este conter uma «caraterização bioquímica muito grande», o que permite «determinar a prevalência do número de fatores de risco por pessoa».

Os fatores de risco analisados no «E-Cor» são os biológicos (diabetes, hipertensão e colesterol elevado), os de estilo de vida (obesidade/excesso de peso, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, dieta inadequada e tabagismo) e os genéticos (antecedentes familiares de doença cardiovascular prematura).

Estes são fatores de risco vasculares idênticos em caso de doença cardiovascular, doença cerebrovascular e doença arterial periférica.

O «E-Cor», que teve início em 2012, ainda está em curso. Para já foram avaliadas populações de três regiões: o Norte, o Centro e Lisboa. Entre abril e dezembro serão avaliadas as amostras do Algarve e do Alentejo.

Ao todo está projetado envolver 1.700 pessoas: 340 por cada região. Os grupos etários estudados são: 18/34, 35/64 e mais de 65 até 79 anos com «equilíbrio» de sexos.

«Infelizmente o orçamento que nos deram não deu para incluir as Ilhas [Açores e Madeira]. Estamos à procura de financiamento que possa completar as sete regiões», concluiu a investigadora.

Um dos dados curiosos do estudo, avançado pelo JN, é o fato de haver menos pessoas com colesterol elevado no Norte do país. No entanto, esta região não tem bons resultados na alimentação saudável e não cumpre a orientação da Organização Mundial de Saúde que aconselha a ingestão diária de cinco peças de fruta ou legumes.

Este é um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, bem como pelo INSP.