Vários milhares de espanhóis e portugueses invadiram este sábado as principais avenidas de Madrid para exigir ao Governo espanhol o encerramento de todas as centrais nucleares da Península Ibérica, a começar pela de Almaraz.

Os manifestantes, que tiveram de enfrentar uma temperatura cerca de 35ºC., tinham cartazes e gritaram palavras de ordem como “Não ao nuclear, fechar Almaraz”, “Fechar Almaraz, descanse em paz” ou “Nós só queremos fechar Almaraz”.

Segundo a plataforma que organizou a manifestação, o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), estiveram presentes representantes de mais de 125 organizações dos dois países ibéricos.

O MIA pretende que o Governo espanhol encerre as centrais nucleares existentes à medida que forem caducando as atuais licenças de exploração e defende a passagem para um modelo energético “renovável, justo e sustentável”.

Entre 2020 e 2024 expiram todas as licenças de exploração das centrais nucleares espanholas e o objetivo é reclamar que não sejam renovadas”, explicou Pablo Castejon, coordenador do MIA, acrescentando que “os industriais espanhóis querem renovar as atuais licenças sem que haja um debate público sobre o nuclear”.

Presente na manifestação, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, alertou que a central nuclear de Almaraz “está obsoleta, já devia ter encerrado e é absolutamente inaceitável a sua manutenção, porque é um risco muito grande para todos”.

O caminho é este, não nos resignarmos ao perigo nuclear e continuarmos a lutar pela proteção de todos nós”, sublinhou Catarina Martins.

Outra deputada portuguesa que se deslocou a Madrid, Heloísa Apolónia do Partido Ecologista Os Verdes, acusou o Governo português de se ter “encolhido muito face ao Governo espanhol” por ainda não ter dito que Almaraz devia encerrar em 2020.

“Nós respeitamos a soberania espanhola” para tomar a decisão de encerrar Almaraz, mas “no fundo estamos a renegar a soberania portuguesa, […] quando estamos a falar de uma central nuclear que é um risco transfronteiriço”, insistiu a deputada.

Por seu lado, o vice-presidente da Quercus, Nuno Sequeira, realçou que “os dois povos [espanhol e português] estão unidos contra esta forma nefasta de produção de energia”, acrescentando que agora só falta os dois Governos perceberem “que as pessoas não querem as centrais nucleares”.

Portugal e Espanha alcançaram uma "resolução amigável" para o litígio em torno da central nuclear de Almaraz, com Lisboa a retirar em fevereiro último uma queixa apresentada junto da Comissão Europeia por Madrid ter aprovado a construção de um aterro de resíduos nucleares em Almaraz sem ter consultado Portugal.

Por outro lado, Lisboa defende que Espanha é soberana para decidir a forma de produzir energia elétrica no seu país.