A União Europeia ultrapassou os limites de emissões de poluentes do ar e dez países apresentam valores acima das metas em, pelos menos, um dos elementos, mas Portugal tem comportamento positivo em todos os poluentes, refere uma entidade europeia.

Um relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA na sigla em inglês) divulgado esta quinta-feira conclui que, em 2013, "as emissões de poluentes do ar continua a exceder os limites legais na União Europeia" e os dados preliminares mostram que dez Estados membros ultrapassam um ou mais dos tetos de emissão fixados".

Para Portugal, a informação recolhida pela entidade revela que as emissões estão abaixo dos limites fixados em todos os poluentes, ou seja, óxido de azoto (NOx), relacionado com o tráfego automóvel, NMVOCs (compostos orgânicos não voláteis), dióxido de enxofre (S02) e amoníaco (NH3), nos anos entre 2010 e 2013.

São 14 os Estados membros que conseguem apresentar valores de emissões baixo dos limites máximos fixados em todos os poluentes, entre os quais Grécia, República Checa, Itália ou Polónia, além de Portugal.

"As emissões do transporte rodoviário são uma das principais razões para o elevado número de excedências de NOx, em parte porque o transporte cresceu mais que o esperado", mas também devido ao aumento do número de veículos a gasóleo, mais poluentes que os carros a gasolina, explica a EEA.


Os países que excederam os limites


Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Irlanda e Luxemburgo foram os seis países que excederam os seus tetos de emissão de NOx entre 2010 e 2013.

A EEA salienta que a Alemanha foi o único país que ultrapassou os limites para os quatro elementos referenciados, enquanto a Áustria, Dinamarca e Irlanda apresentam valores de emissões acima do fixado em dois poluentes.

São seis os países que mantêm "problemas persistentes" no objetivo de cumprir a meta nacional de emissões para o NH3, poluente que, na sua maior parte (95%), tem origem na atividade agrícola, principalmente relacionado com os fertilizantes e o tratamento do estrume dos animais.

O relatório "O Ambiente na Europa – Estado e Perspetivas 2015", elaborado pela EEA, publicado em março, refere que a poluição do ar continua a ter sérios impactos nas zonas urbanas e, "em 2011, cerca de 430 mil mortes prematuras eram atribuídas às partículas finas".

"Uma parte significativa da população urbana europeia continua exposta a níveis prejudiciais de poluição atmosférica", segundo a EEA, e os transportes continuam a ser os maiores responsáveis pela fraca qualidade do ar nas cidades, mas a indústria, centrais elétricas, agricultura e setor doméstico também contribuem para a poluição.

Aliás, "a poluição atmosférica continua a contribuir para grande parte do fardo do cancro do pulmão e das doenças respiratórias na Europa", refere a instituição, como cita a Lusa.

O custo associado à poluição do ar representa, pelo menos, 330 mil milhões de euros relacionados com a mortalidade, segundo estimativas de 2010 da EEA, que apontam ainda para 15 mil milhões de euros devido a ausências no trabalho, e quatro mil milhões por gastos em cuidados médicos.