Uma grande parte dos portugueses que estão a chegar ao Reino Unido vão à aventura e podem beneficiar de preparação para evitar problemas, como acabar a viver na rua, defende uma ativista na comunidade em Londres.

Foi com este objetivo que Patrícia Marcelino criou um projeto de workshops que vai realizar em Lisboa, Viseu e Porto, entre 30 de março e 10 de abril, ao qual chamou «Ó Mãe, Vou Emigrar!!!».

«Metade das pessoas estão a vir à aventura: não só jovens à procura de trabalho, mas também adultos com famílias e vida feita em Portugal que vêm arriscar», disse à agência Lusa.


Nas sessões de formação, propõe-se ensinar «coisas simples», como onde procurar emprego na Internet e como preparar um currículo ou uma entrevista de trabalho ou a preparar a mudança de residência.

«Vou ensinar como fazer um currículo à moda de cá, porque o modelo Europass não é usado, mostrar que nem sempre há necessidade de se deslocarem para entrevistas, pois existe a possibilidade de ser feita por videoconferência, e mostrar sites seguros para procurar emprego», adiantou à Lusa.


A falta do domínio da língua inglesa resulta em trabalhos precários e temporários e o desespero, lamentou, permite que burlões peçam dinheiro adiantado por empregos ou vistos desnecessários ou por alojamentos que não se concretizam.

Patrícia Marcelino instalou-se em Londres em 2012 para terminar um doutoramento em comunicação, mas têm-se dedicado a ajudar de forma gratuita a comunidade portuguesa.

Está envolvida em ações de apoio social e na organização de ações culturais, como aulas de inglês e a dinamização de uma biblioteca da área de Stockwell, no sul de Londres.

Mas foi durante o Natal que testemunhou o extremo a que pode chegar uma emigração mal preparada, ao encontrar cinco portugueses sem abrigo durante um voluntariado com uma instituição britânica.

Um jovem que não conseguiu os apoios que pretendia para os estudos, um assalto que levou à perda de documentos, a necessidade de usar lojas de computadores para contactar amigos e família, as situações que encontrou são diversas.

Estes casos são uma evidência de que é preciso preparar bem a viagem para o Reino Unido, afirmou Patrícia Marcelino: «Conseguem sobreviver porque as igrejas dão abrigo durante a noite, mas durante o dia são deixados na rua».

O projeto, referiu, surgiu na sequência de uma participação na feira anual na área da educação e formação Futurália, em março, onde diz ter recebido convites de autarquias e universidades.

O Reino Unido é um dos principais destinos da emigração portuguesa, tendo atraído pelo mais de 80 mil portugueses nos últimos três anos.

Segundo estatísticas do governo britânico, no ano passado pediram um número de segurança social, compulsório para quem queira trabalhar, 30,55 mil portugueses, a somar aos 30,12 mil de 2013 e aos 20,44 mil portugueses em 2012.