Os quatro países onde os filhos dos emigrantes pagam este ano propinas para frequentar o ensino de português perderam cerca de 3 mil alunos relativamente ao ano passado, estima o Sindicato de Professores das Comunidades Lusíadas.

«Em metade do Luxemburgo, na Alemanha, na Suíça e no Reino Unido perdemos mais de três mil alunos. Uma média de mil alunos por país», disse à agência Lusa Teresa Soares, do Sindicato de Professores das Comunidades Lusíadas, relacionando esta quebra com a introdução de uma propina de 100 euros.

«Na Alemanha, tínhamos 2.800 alunos perdemos 1.000 e na Suíça havia cerca de 13.500 e penso que 1.800 alunos vão ficar fora dos cursos», prosseguiu.

Teresa Soares lembrou que a propina, aplicada pela primeira vez nas inscrições para o ano letivo 2013/2014, será apenas cobrada nestes quatro países, uma vez que países como a Espanha, a França e a Bélgica, onde a maior parte dos alunos frequentam aulas de português integradas nos serviços de ensino locais, não permitiram a sua introdução.

«Há países que ficaram de fora. Em Espanha não é aplicada porque os cursos estão todos integrados no horário [escolar], em França o Ministério da Educação proibiu e disse que se o Governo tentasse receber dos alunos não dava salas e fechava as escolas. Na Bélgica, também não foi aplicada, o Ministério da Educação teve exatamente a mesma posição que o Governo francês. Em metade do Luxemburgo, o ensino também está integrado», não pagando por isso os alunos propina, explicou a sindicalista.

A rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) inclui cursos de português integrados nos sistemas de ensino locais e cursos associativos e paralelos, assegurados pelo Estado português, em países como a Alemanha, Espanha, Andorra, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Reino Unido, Suíça, África do Sul, Namíbia, Suazilândia e Zimbabué.

No corrente ano letivo, frequentaram os cursos de Ensino de Português no Estrangeiro 57.212 alunos (56.191 em 2011/2012), distribuídos por 3.603 cursos (3.621 no ano anterior).

A agência Lusa pediu já por diversas vezes ao instituto Camões os números globais dos alunos inscritos no estrangeiro para o ano letivo 2013/2014, mas até ao momento não obteve resposta.

Teresa Soares, que hoje se reuniu com a embaixadora de Portugal no Luxemburgo para analisar as questões do ensino naquele país, disse ainda que as horas letivas continuam a ser insuficientes e que os professores continuam com turmas de 20 alunos de todos os graus letivos.

«Estamos a perder um número muito grande de alunos e a qualidade do ensino não vai de maneira nenhuma melhorar, porque [os professores] continuam a dar as mesmas horas com grupos muito mistos de 20 alunos de todos os níveis de ensino», sublinhou.

Por outro lado, Teresa Soares explicou que a rede de cursos para o próximo ano será fixada com base num número de alunos menor do que os que irão frequentar os cursos, uma vez que diariamente as coordenações de ensino continuam a receber inscrições apesar de o prazo ter terminado.

«Estamos continuamente a receber alunos novos. Todas as semanas estamos a receber inscrições novas e em setembro, quando começarem as aulas, vamos ainda receber mais e nenhum desses alunos foi contabilizado para a rede horária. Vão-nos aparecer imensos alunos e nós vamos ter muito poucas horas e um espaço letivo muito restrito para lhes dar atenção», disse.

Teresa Soares receia ainda que a perda de alunos leve à saída da rede EPE de 18 professores.

Portugal tem cerca de 400 professores de português no estrangeiro.