O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, garantiu esta quinta-feira, em Paris, que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) aguarda «a identificação exata» dos trabalhadores portugueses vítimas de escravatura moderna, em França, para prosseguir a investigação.

«A nossa Autoridade para as Condições do Trabalho, através do nosso vice-consulado em Toulouse, procurou averiguar a identificação exata dos cidadãos em causa. Essa identificação foi solicitada à CGT. A CGT solicitou à CGTP e a CGTP ainda não forneceu. Estamos a aguardar que nos sejam dados esses elementos para poder haver a necessária intervenção local», explicou.

José Cesário tinha já anunciado que decidiu intervir e pedir à ACT em Portugal que contacte a Inspeção do Trabalho em França para fazer uma investigação ao caso.

A CGTP pediu, no início de novembro, uma reunião de urgência ao secretário de Estado das Comunidades para debater a «dramática situação» laboral que vivem trabalhadores portugueses na região de Narbonne.

«Eu recebi a CGTP em Lisboa há muito poucos dias e fiz sentir um conjunto de aspetos: o primeiro aspeto é que os seus associados, os seus trabalhadores que com eles contactam, devem denunciar cada situação irregular que exista, não apenas aos sindicatos, mas também às autoridades portuguesas e às autoridades locais, é evidente, em primeiro lugar», disse José Cesário aos jornalistas, à margem do congresso de autarcas da região de Paris.

A CGTP tem uma reunião marcada para sexta-feira com a congénere francesa CGT (União Sindical de Narbonne) e com uma responsável sindical francesa para o direito dos imigrantes, com o objetivo de discutirem a exploração de portugueses em França.