O antigo Presidente da República Jorge Sampaio defendeu esta quarta-feira a necessidade de "afrontar" o êxodo de diplomados e adiantou que “não podemos continuar” a assistir, "impávidos", à sua emigração.

"É necessário afrontar o êxodo dos diplomados. Não podemos continuar assim, a investir na qualificação dos portugueses e a assistir impávidos à sua emigração. Por uma razão fundamental, não há portugueses dispensáveis", afirmou Jorge Sampaio.

O ex-Presidente da República falava em Castelo Branco, durante a cerimónia comemorativa dos 35 anos do Instituto Politécnico local.

Jorge Sampaio defendeu que a mobilidade, em si, é de encorajar, assim como os intercâmbios são necessários no mundo globalizado, mas adiantou que "não podemos investir recursos públicos, sem qualquer garantia de retorno".

"Não tenho nenhuma solução mágica para este problema, mas entendo que há que pensar em soluções que impeçam a pauperização do país em recursos qualificados, que estanquem esta fuga de cérebros a que se vem assistindo nos últimos anos", sustentou.


O antigo Presidente da República disse que tem por certo que o papel do ensino superior "é absolutamente insubstituível" e adiantou que, nos tempos atuais, "não há tarefa mais fundamental e urgente do que a educação".

"Portugal não tem estudantes a mais. Não tem diplomados a mais. Portugal tem, bem pelo contrário, ainda baixos índices de qualificação escolar na sua população, apesar do enorme salto dado nas últimas décadas", sublinhou.


Jorge Sampaio recordou ainda que o aumento da taxa de desemprego, sobretudo de jovens formados no ensino superior, condiciona as representações sociais e as expectativas dos potenciais candidatos que começam a deixar de atribuir valor à obtenção de um diploma superior, que já não vêm como garante de mobilidade social e de melhor empregabilidade.

"Como articular de forma mais adequada ensino superior e empregabilidade? Que reformas são necessárias, que dimensão isto tudo deve ter?", questionou o antigo Presidente da República.

Sampaio adiantou ainda que, nos últimos anos, "temos assistido a uma evolução divergente, pois a nossa economia não parece estar a beneficiar, como seria expectável, da melhoria do acesso ao ensino superior dos portugueses, do aumento e da diversificação muito significativa da nossa oferta".