A emigração portuguesa continua a ser «basicamente europeia», abrangendo novos destinos, como o Reino Unido, mas Angola e Moçambique também ocupam lugares de destaque como países de destino, concluem investigadores do ISCTE.

Dos 16 destinos mais importantes para a emigração portuguesa, dez são europeus, indicaram Rui Pena Pires e Inês Espírito Santo, na conferência «Vidas em movimento: migrações, mobilidades e turismo», organizada pelo Centro de Investigação em Estudos Sociais (CIES) do ISCTE.

Os dois investigadores citavam dados que constam do «Portuguese Emigration Factbook 2014», livro digital em inglês que vai ser lançado para a semana (e repetir-se anualmente), com o objetivo de tornar os dados sobre a emigração portuguesa mais acessíveis a um público internacional.

De acordo com os dados recolhidos sobre 2013, Suíça, Reino Unido e Espanha são os destinos da «emigração mais jovem e em crescimento», sendo que os dois últimos países são escolhas de emigração recentes.

O Reino Unido é o destino mais procurado atualmente, tendo registado 30 mil entradas em 2013, seguindo-se a Suíça, com 20 mil, e a Alemanha, com 11 mil. Rui Pena Pires sublinhou, porém que não há dados recentes sobre a França.

Independentemente disso, Portugal é o país com mais emigração no contexto europeu, resumiu Inês Espírito Santo, contabilizando em 2,3 milhões os emigrantes portugueses (o que não inclui os seus descendentes diretos já nascidos no estrangeiro), o que coloca o país na 22.ª posição do ranking da emigração.

Mas não são só europeus os destinos dos emigrantes portugueses, com Angola a ocupar o quinto lugar da tabela, embora só estejam disponíveis dados sobre vistos de emigração duradoura entregues pelos consulados em Lisboa e Porto (falta Faro): foram atribuídos 4.651 em 2013.

Saber a dimensão da emigração portuguesa em Angola «é difícil», porque o sistema estatístico não disponibiliza esses dados, destacou Rui Pena Pires. O «aumento significativo» da emigração portuguesa para Angola começou a ser percebido quando, a partir de 2000, as «remessas vindas de Angola começaram a ser maiores do que as que partiam de Portugal para Angola», recordou à Lusa.

Já Moçambique subiu para sétimo país de destino, logo a seguir ao Luxemburgo, com 3.759 entradas registadas em 2013.

O impacto da crise na emigração é evidente, destacou Inês Espírito Santo, referindo que, se entre 2008 e 2010 “houve um decréscimo da emigração portuguesa, a partir de 2011 houve um crescimento acentuado”.

Entre 2007 e 2012 saíram, em média 80 mil portugueses por ano, mas em 2013 a estimativa sobe para 110 mil, apontou.

Já Rui Pena Pires realçou que a população portuguesa emigrada “continua a ser muito pouco qualificada”, em relação à população autóctone, embora seja verdade que os que têm deixado o país recentemente são “mais qualificados”.

As remessas dos emigrantes – disse o sociólogo – «não têm hoje o peso que já tiveram», representando menos de dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Porém, apesar do «declínio sistemático do peso no PIB», Portugal continua a estar «entre os 30 países do mundo que mais remessas recebem».

Já as remessas que saem de Portugal têm como principal destino o Brasil (mais de metade).