A emigração recente de Portugal para França é bem vista e os portugueses estão a ser bem integrados na sociedade francesa, disse hoje o deputado lusodescendente Carlos da Silva, no âmbito da visita do primeiro-ministro francês a Portugal.

«As coisas passam-se bem para os portugueses. Os imigrantes portugueses têm uma boa imagem em França e os que chegam também mantêm esta imagem de gente trabalhadora, séria, que quer ajudar a construir a França», disse à Lusa, em Lisboa, o deputado Carlos da Silva, nascido em França e filho de pais portugueses.


O deputado lusodescendente, que é também um dos quatro porta-vozes nacionais do Partido Socialista francês, falou à margem da conferência Agir em conjunto para o crescimento europeu, no Centro Cultural de Belém, no âmbito da visita do primeiro-ministro Manuel Valls a Portugal.

Carlos da Silva lembrou que a comunidade portuguesa está bem integrada na sociedade francesa e, «como os franceses, sentiram o impacto da crise financeira em França».

Segundo o deputado, em Portugal a crise foi mais profunda do que em França e por isso «os jovens tiveram de sair do país para a França, a Alemanha, o Luxemburgo e a Suíça, mas estes novos emigrantes têm mais formação, diplomas e trabalham em outros setores», diferente dos emigrantes das décadas de 1960 e 1970.

Carlos da Silva sublinhou que também há uma emigração portuguesa que trabalha nas áreas mais tradicionais, como a construção civil, mais identificada com as primeiras ondas de emigrantes portugueses para França.

«Os números desta nova emigração de portugueses não eram vistos desde a década de 1960», sublinhou Carlos da Silva, que tem as suas raízes em Rendufinho, no concelho de Póvoa de Lanhoso.

Sobre a participação política dos portugueses e lusodescendentes, disse que «não há candidatos lusodescendentes suficientes» na política em França, visto que a população de origem portuguesa é de cerca de um milhão no país.

Segundo o deputado, «as pessoas de origem portuguesa não são tão implicadas como poderiam ser na vida política por uma razão simples, a primeira geração de portugueses que foi para França saiu de um regime de ditadura em Portugal, onde não se podia falar livremente e se poderia ser preso».

«Vejo pelos meus pais, pelos mais velhos, que não têm o hábito de participar na vida política, de votar. A minha geração começou um pouco a implicar-se, mas eu acho que poderia haver muito mais envolvimento», sublinhou.


«Penso que a nova geração vai envolver-se mais na vida política do país do que a minha», acrescentou o deputado, referindo que visita Portugal, a trabalho e em férias, três a quatro vezes por ano, mostrando muito orgulho nas suas raízes.

Sobre as relações económicas entre os dois países, motivo principal da deslocação de Manuel Valls a Portugal, Carlos da Silva referiu que «o investimento francês em Portugal está em segundo lugar, somente atrás do investimento espanhol, e pode-se desenvolver ainda mais».

«Há espaço (para as empresas portuguesas em França), porque como eu dizia, os portugueses têm uma boa imagem em França. Tem de haver mais coragem, mais vontade, e as empresas tem de se envolver mais com o que se está a passar em França», declarou Carlos da Silva.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, está hoje em visita oficial a Portugal, que inclui encontros com o chefe do Governo português, Pedro Passos Coelho, e com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Manuel Valls visita Lisboa acompanhado do secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Harlem Désir, e do deputado Carlos da Silva.