As permanências consulares, realizadas em cerca de 130 cidades, deverão permitir atender 40 mil emigrantes este ano, estimou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, que reconheceu problemas de falta de pessoal nos consulados.

Em declarações à Lusa, o governante afirmou que, com o aumento da emigração, as comunidades portuguesas assumem agora em alguns locais proporções que antes não tinham e, atualmente, «só é possível responder a estas pessoas pelas permanências», na Europa e fora.

Este modelo ¿ que implica a deslocação, por um determinado período, de funcionários dos consulados a locais onde estes serviços não existem ¿, já funciona em mais de 130 cidades e a meta do Governo é chegar às 150, mas as futuras estruturas crescerão agora «a um ritmo mais ligeiro», disse.

No ano passado, foram atendidas nas permanências consulares perto de 25 mil emigrantes, mas este ano o número deverá aumentar para 40 mil, estimou José Cesário, que revelou que «a rentabilidade dos funcionários nas permanências consulares é três vezes superior à que se verifica nos consulados».

«Com as permanências consulares, há muitíssimos mais portugueses com atendimento», sublinhou o secretário de Estado.

Já o sindicato do pessoal dos consulados considera que os postos são hoje «fábricas de documentos» e aponta a degradação das condições de trabalho, acusando o Governo de pretender «caminhar para o desaparecimento dos serviços» prestados às comunidades no estrangeiro.

Questionado pela Lusa sobre o panorama geral do atendimento prestado pelo Estado aos emigrantes portugueses, Jorge Veludo, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas (STCDE), traça um cenário negro: «Há áreas pouco ou nada atendidas, a área de jurisdição de muitos postos é superior à superfície de Portugal continental, há uma progressiva impossibilidade objetiva de chegar a todo o lado».

O sindicato acusa o Governo de ter uma política global «orientada para a receita» e de tudo ser «medido pela rentabilidade».

Também os representantes dos emigrantes portugueses se queixam que o atendimento nos consulados tem vindo a piorar, registando-se tempos de espera elevados, devido à saída de funcionários, apesar de as comunidades estarem a aumentar.

«Para quem está fora, o consulado é a entidade que nos faz aproximar ao país e isto emperra», disse Fernando Gomes, presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), para quem «com o atual Governo, as coisas só têm piorado, nitidamente».

Regista-se uma «maior saída de portugueses para o exterior» e a «qualidade do serviço decaiu», afirmou.

O responsável, residente em Macau, dá o exemplo do consulado desta região, que perdeu três funcionários e onde o atendimento é feito mediante entrega de senha e «as filas são enormes». A maioria da comunidade portuguesa «felizmente, tem passaporte» macaense e a burocracia é mais simples.