O jornalista Emídio Rangel morreu esta quarta-feira vítima de doença prolongada no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há 15 dias, disse à Lusa fonte próxima da família.

O fundador da TSF e ex-diretor-geral da SIC e da RTP tinha 66 anos.

Nascido a 21 de setembro de 1947 em Sá da Bandeira, atual Lubango, Angola, Emídio Rangel era o mais velho de quatro irmãos, entre os quais o juiz Rui Rangel.

Cavaco Silva lamenta morte de Emídio Rangel

Com duas filhas, Emídio Rangel, que estava a lutar contra um cancro na bexiga, dez anos depois de ter vencido um tumor idêntico, tem o seu percurso para sempre ligado à génese da rádio TSF e da televisão SIC.

Licenciado em História, pela Universidade Clássica de Lisboa, chegou a frequentar o curso de Direito, mas os compromissos profissionais acabaram por impedir a sua conclusão.

Iniciou a sua atividade em 1964 na Rádio Clube de Huíla e três anos depois mudou-se para a rádio Comercial de Angola, onde veio a desempenhar funções de chefe dos serviços de produção.

Em 1975, Emídio Arnaldo Freitas Rangel chega a Lisboa, onde começou a vender encicloplédias, mas em breve ingressa por concurso público na RTP, ficando em segundo lugar entre 300 candidatos.

TSF e RTP lamentam morte de Emídio Rangel

Posteriormente, Rangel abraça um novo projeto enquanto membro fundador da TSF - Cooperativa de Profissionais de Rádio. O seu nome ficaria para sempre ligado à estação, tendo sido diretor e ascendido a presidente do conselho de administração entre 1992 e 1993.

Na sua ligação ligação à TSF, um dos momentos que ficaria na memória de muitos é o célebre episódio em que Rangel utilizou um berbequim para forçar a entrada das instalações da rádio.

No seu currículo, acumulou experiência como colaborador da BBC em Portugal, correspondente da TDM - Teledifusão de Macau e enquanto gerente da revista Grande Reportagem e da estação de rádio NRJ - Rádio Energia.

Pinto Balsemão destaca «papel fundamental» de Emídio Rangel na TSF e SIC

Entrentanto, em fevereiro de 1992, Francisco Pinto Balsemão convida-o para um novo desafio profissional, enquanto diretor de informação da SIC. Rangel pede 48 horas para refletir e aceita o convite, assumindo em abril do mesmo ano o cargo. No entanto, com a saída de Maria Elisa da direção de programas da SIC, passa a acumular as duas direções a partir de agosto do mesmo ano.

Rangel ficaria à frente da informação e dos programas até agosto de 2001, ano em que acumulou ainda o cargo de diretor-geral de Conteúdos da estação de Carnaxide, até setembro.

Rangel ficaria na SIC até setembro de 2001, uma saída que o mercado tinha vindo a prenunciar nos últimos meses.

Um mês depois, Emídio Rangel vai para a RTP, onde é diretor-geral até setembro de 2002.

«As pessoas têm que viver apaixonadamente os projetos, ter espaço para a criatividade, ter estímulo. Assim conseguem chegar ao topo, como chegou a TSF e a SIC», referia em maio de 1996 Emídio Rangel, num artigo no Semanário.

O velório de Emídio Rangel realiza-se amanhã, quinta-feira (14 de agosto) a partir das 17:00 na Basílica da Estrela e o funeral será na sexta-feira (15).