Cerca de duas centenas de trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) cortaram esta terça-feira a linha férrea do Norte, na estação do Entroncamento, durante cerca de meia hora, num protesto contra a privatização da empresa.

O corte da linha ocorreu às 11:38 e reteve a passagem de um comboio alfa-pendular com origem no Porto.  Às 12:06, os trabalhadores saíram da linha, deixando passar o comboio, e começaram a desmobilizar.

O protesto seguiu-se a um plenário que reuniu trabalhadores vindos das várias unidades da EMEF existentes no país, no qual foi aprovada uma moção que exige o cancelamento dos processos de privatização da EMEF e da CP Carga, da fusão da REFER com a Estradas de Portugal e da concessão das linhas lucrativas da CP.

“Não aceitamos que esta empresa seja entregue de mão beijada à iniciativa privada. Isto é delapidar o património público. É um crime contra o património público, um crime contra a economia do país e um crime contra os direitos sociais e laborais dos trabalhadores. [A privatização] tem que ser travada”, disse o secretário-geral da CGTP.

Arménio Carlos disse à Lusa que a reunião que se realiza na quarta-feira com a administração da EMEF, que já tinha sido referida antes pelos trabalhadores, decorre na semana de luta convocada pela Federação dos Sindicatos dos Transportes (Fectrans) contra a privatização das empresas do setor e demonstra “abertura para conversar”.

Contudo, para o líder da central sindical “não basta conversar”, sendo fundamental parar com a entrega da gestão da EMEF a privados, não só para evitar a redução de postos de trabalho e a precarização mas também para garantir que "o Estado não fica sem uma empresa estratégica para fazer a manutenção do material ferroviário circulante e também para pô-la a construir”.

Arménio Carlos referiu que, “dentro de pouco tempo”, será preciso fazer a substituição das carruagens da CP e do metropolitano e que, afirmou, “isso pode e deve ser feito por uma empresa pública, porque as mais-valias que daqui resultarem em vez de irem para os bolsos dos grandes acionistas das empresas privadas irão reforçar o Orçamento do Estado”.

Estes trabalhadores “estão aqui a lutar pelos seus direitos, para defender os seus postos de trabalho, para defenderem a sua dignidade, mas também para colocar a EMEF como uma empresa pública ao serviço do desenvolvimento país”, acrescentou.

Os trabalhadores repetiram palavras de ordem como: “A EMEF é nacional, faz falta a Portugal”, “Público é de todos, privado é só de alguns”, “Não e não à privatização”, “É preciso, é urgente, uma política diferente”.

“O país precisa de um modelo de desenvolvimento baseado na valorização das profissões, da competência e numa outra distribuição da riqueza, que passa pela melhoria dos salários e pela estabilidade e segurança no emprego”, defendeu Arménio Carlos.

A EMEF foi autonomizada em 1993 da área industrial da CP, destinando-se à reparação e reabilitação do material circulante.