O secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, assegurou esta terça-feira que tudo está a ser feito para encontrar os cinco pescadores desaparecidos no naufrágio de uma embarcação de pesca ao largo da Praia das Maçãs, Sintra, numa altura em que as famílias e a sua «fé» chegaram a Sintra. 

«Os meios e a procura dos desaparecidos estão a ser levadas a cabo pelas entidades competentes de busca e salvamento marítimo, e, portanto, está tudo a ser feito para que aqueles que se encontram desaparecidos possam ser encontrados o mais rapidamente possível», disse Manuel Pinto de Abreu à agência Lusa.


O governante afirmou estar a acompanhar de perto a situação do naufrágio da embarcação “Santa Maria dos Anjos”, acrescentando não ter indicações de que tenha havido falha dos meios de salvamento.

«A informação que eu tenho é que tudo estava certificado. As licenças e tudo o que ela [embarcação] devia ter, estavam garantidos. Mais detalhes, só na sequência da investigação que já está a decorrer», sublinhou Manuel Pinto de Abreu, depois de questionado sobre se a embarcação estava equipada com todos os meios de segurança.


As buscas foram interrompidas com o cair da noite e devem ser retomadas na quinta-feira de manhã.

As autoridades foram alertadas, cerca das 03:10 desta quarta-feira, para o naufrágio da embarcação “Santa Maria dos Anjos”, com cerca de 11 metros, registada em Olhão, mas de um armador do Norte do país, ao largo da Praia das Maçãs, com seis pescadores a bordo.

Um pescador, luso-francês, de 26 anos, conseguiu nadar para terra agarrado a uma boia e subiu a arriba na zona do Mindelo, perto da Praia das Maçãs, batendo à porta de habitações a pedir socorro, até ser encontrado pelo guarda-noturno, alertado por uma moradora.

A embarcação tinha saído de Peniche, cerca das 21:00 de terça-feira, e «estava a navegar para uma zona de pesca ao linguado», ao largo de Cascais, com seis ocupantes, com idades entre os 27 e os 51 anos, segundo José Festas, presidente da associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar.

Os pescadores eram oriundos dos concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, e um será de origem ucraniana, acrescentou o representante dos pescadores, assegurando que «o mestre era experiente e tinha cerca de 25 anos de mar».

O sobrevivente do naufrágio foi encaminhado para a capitania do porto de Cascais, para ser ouvido, informou fonte da autoridade marítima.

O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS), deslocou-se ao local e assegurou que a autarquia «está a dar todo o apoio nas buscas por terra», através de 33 bombeiros das corporações de Colares e de Almoçageme e elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil.

Além da corveta Batista de Andrade, da Marinha, e de duas embarcações das estações salva-vidas de Cascais e Ericeira, participam nas buscas um helicóptero EH-101 da Força Aérea Portuguesa.
 
Os familiares dos pescadores da embarcação "Santa Maria dos Anjos". Apesar de muito abalados, os familiares, que viajam acompanhados pela presidente da Câmara de Vila do Conde, Elisa Ferraz, e pela vereadora da Câmara da Póvoa de Varzim Lucinda Delgado, mantêm a esperança de que os pescadores ainda podem ser resgatados com vida.

«Temos muita fé, já houve situações destas, com pescadores das Caxinas, que estiveram desaparecidos três dias e acabaram por ser encontrados vivos numa balsa», disse Sandra Silva, irmã do mestre da embarcação, Manuel Silva, que ainda se encontra desaparecido.


Deputados solidários com famílias das vítimas


Os grupos parlamentares com assento na Assembleia da República manifestaram solidariedade com as famílias dos pescadores desparecidos do naufrágio. Os deputados abordaram o tema esta tarde, quando debatiam Projetos de Resolução sobre a necessidade de intervenções nos portos de pesca nacionais, nomeadamente da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, de onde eram naturais todas as vítimas do naufrágio.

Afonso Oliveira, deputado do PSD, falou em «momentos de tristeza numa comunidade sempre muito afetada com sua relação com o mar», endereçando «esperança e toda a solidariedade para as famílias».

Do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, considerou que «não poderia deixar de endereçar uma palavra de pesar para as famílias, e manifestar toda a solidariedade em mais um momento trágico».

Também da parte do CDS-PP surgiram palavras de solidariedade, com o deputado Michel Soares a mostrar esperanças «que todos os pescadores possam todos regressar a casa de boa saúde».

Jorge Machado, do PCP, falou em «momento dramático e de preocupação», manifestando «solidariedade com as famílias dos pescadores nesta altura triste».

Da bancada do PS, Jorge Fão, partilhou «o lamento por esta tragédia e situação triste», deixando «de forma sentida solidariedade para com as famílias dos pescadores desaparecidos».