Os Estados Unidos «estão conscientes» do impacto económico negativo para a economia dos Açores da redução de pessoal na base das Lajes e consideram prioritário contribuir para o atenuar, afirmou hoje o embaixador norte-americano em Lisboa.

Robert Sherman apresentou hoje em Lisboa as conclusões do relatório sobre a reorganização das forças militares norte-americanas na Europa, o qual prevê nomeadamente a redução de 500 postos de trabalho portugueses e 485 norte-americanos na base das Lajes, na ilha Terceira, Açores.

«Isto vai obviamente ter um impacto negativo na economia dos Açores, estamos conscientes desse facto (…). Ajudar a mitigar o impacto económico é uma prioridade da embaixada em Lisboa», disse o embaixador em conferência de imprensa.

Segundo explicou, foi criado um grupo de trabalho  com especialistas da embaixada na área económica e representantes do governo regional dos Açores «para explorar oportunidades  económicas», designadamente «promoção do turismo, formação, negócios, cooperação em energias renováveis, investigação científica».

«Não podemos dizer aos Açores o que é bom para os Açores. O que podemos é criar oportunidades e ajudar a desenvolvê-las», disse.

Por outro lado, referiu, a administração norte-americana «está a considerar o pagamento de uma generosa indemnização aos funcionários portugueses das Lajes».


As autoridades locais estimam que a diminuição da presença norte-americana na base represente uma redução de 10% a 15% no Produto Interno Bruto dos Açores e de 30 a 40 milhões de euros na economia da ilha Terceira.

Robert Sherman frisou, por outro lado, que a reorganização da presença militar nas Lajes «não significa de modo algum um enfraquecimento do compromisso dos Estados Unidos com Portugal ou da importância estratégica que atribuem a Portugal».

Ela insere-se «numa consolidação das infraestruturas na Europa» para «adequar a dimensão das forças norte-americanas para melhor enfrentar as ameaças do século XXI».

A reorganização das forças norte-americanas na Europa abrange seis países europeus – Portugal, Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e Reino Unido – e vai permitir uma redução da despesa norte-americana de 500 milhões de dólares (423,8 milhões de euros).

No caso das Lajes, a redução de forças representa uma poupança de 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros), segundo o embaixador.