Frank Carlucci morreu este domingo aos 87 anos, na sua casa em McLean, no estado da Virginia.

O antigo embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa sofria de Parkinson e morreu devido a complicações de saúde por causa da doença. A morte foi confirmada ao Washington Post por uma amiga, Susan Davis.

Carlucci foi embaixador em Lisboa entre 1975 e 1978 e depois voltou aos Estados Unidos para ser Secretário da Defesa de Ronald Reagan e diretor da CIA. Integrou ainda a administração do governo de Richard Nixon e depois Gerald Ford.

Marcelo fala da "qualidade diplomática" de Carlucci

O Presidente da República recordou o antigo embaixador norte-americano em Portugal como um protagonista com "importância nuclear" no período logo após o 25 de Abril, destacando a "cumplicidade estratégica" com Mário Soares.

O chefe de Estado descreveu esse período como "um tempo de um mundo bipolar, em que os embaixadores norte-americano e soviético, Frank Carlucci, ontem [domingo] desaparecido, e Arnold Kalinin, simbolizavam outro contexto geoestratégico – bem diferente do atual em que os Estados Unidos da América e a República Popular da China discutem o comércio internacional e a situação da República Popular da Coreia".

"Pois foi nesse outro tempo, que mostra a minha provecta idade, que pude testemunhar a qualidade diplomática de Frank Carlucci. Chegado a Portugal no início de 75, em plena revolução, teve durante algumas semanas de ir viver para Madrid, por razões de segurança. Mas durante o longo tempo em que esteve em Portugal não só criou com o futuro Presidente Mário Soares uma cumplicidade estratégica essencial, como demonstrou dotes particularmente relevantes na aproximação entre os EUA e Portugal", elogiou.

À saída desta conferência, em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que Frank Carlucci "desempenhou funções num período muito difícil, que foi o período talvez mais quente da revolução em Portugal" e "foi um dos dois grandes protagonistas do período da revolução: ele, do lado dos Estados Unidos da América, e Kalinin, do lado da União Soviética".

"Foi um embaixador muito importante, nomeadamente criou, como acabei de dizer, uma cumplicidade estratégica com o futuro Presidente Mário Soares", reiterou.

Segundo o chefe de Estado, Carlucci "teve talvez uma das suas missões diplomáticas mais importantes" nesse tempo "particularmente agitado" em Portugal, "numa carreira muito longa e que terminou ontem [domingo], com a sua morte".

"Portanto, eu apresento as condolências à família e recordo da experiência do jovem que vivia a revolução, jovem constituinte e jovem dirigente partidário, a importância nuclear desses dois vultos e, em especial, a importância de Frank Carlucci", acrescentou.