Dezenas de pessoas juntaram-se hoje frente às instalações da EDP no Porto onde apresentaram reclamações contra os cortes de energia efetuados pela empresa nos bairros do Lagarteiro e de Contumil, daquela cidade.

A concentração foi convocada nas redes sociais - numa página associada ao movimento Que Se Lixe a Troika! - e visou mostrar «solidariedade» para com as famílias de dois bairros sociais do Porto a quem a EDP cortou o fornecimento de eletricidade por dívidas.

«Estamos aqui por solidariedade com as pessoas a quem a EDP cortou energia, tanto no Lagarteiro mas não só, porque isto está a acontecer um pouco por toda a cidade. As pessoas têm que escolher, ou comem ou pagam a luz», disse à Lusa um dos manifestantes no local.

Durante a ação de protesto, alguns dos manifestantes chegaram a entrar nas instalações da EDP junto à Casa da Música, no Porto, e «preencheram o livro de reclamações, dizendo que uma empresa que fornece um serviço que é essencial deve também ser chamada à responsabilidade e ter algum critério social», contou à Lusa o ex-candidato do BE à autarquia, José Soeiro, que também participou da concentração.

Para o bloquista «num contexto de emergência social, não é aceitável que pessoas fiquem sem acesso à água e à luz em pleno século XXI».

«Precisamos de garantir, juntando a Segurança Social, a autarquia [e] a própria EDP, que a ninguém é cortada água nem a luz por situações de carência e emergência social», defende Soeiro para quem estas três entidades têm de «arranjar uma solução» para as famílias a quem foi cortado o fornecimento de eletricidade.

Também a Direção da Organização da Cidade do Porto do PCP defende, em comunicado hoje divulgado, que «a Câmara do Porto não pode pretender passar à margem desta situação» e «deve exigir do Governo medidas concretas para este tipo de casos, mas também assumir uma postura de verdadeira sensibilidade social no âmbito dos seus meios e competências».

Os comunistas reclamam ainda a «a necessidade de encontrar soluções de pagamento da eletricidade, mas também água, gás e rendas, compatíveis com os rendimentos das famílias e reitera a sua exigência da elaboração de um Plano de Emergência Social para a Região do Porto».

A EDP Distribuição cortou hoje ligações clandestinas de energia no bairro de Contumil, depois de idêntica operação realizada na quinta-feira no bairro do Lagarteiro. Ambas as intervenções foram efetuadas sob vigilância policial.

Em resposta escrita a pedidos de esclarecimentos da Lusa, a EDP Distribuição referiu que as ações do Lagarteiro e de Contumil tiveram «apenas e só a finalidade de efetuar o corte de ligações fraudulentas e por isso indevidas». Mas, das pessoas a quem a EDP cortou a energia e que a Lusa ouviu, nenhuma reconheceu ligações clandestinas à rede, apenas dívidas antigas à empresa fornecedora de eletricidade, decorrentes da degradação do seu poder de compra.