O secretário-geral da Fenprof voltou hoje a afirmar que os sindicatos estão "disponíveis para discutir tudo" exceto o "tempo de serviço" dos professores, mostrando-se satisfeitos com a adesão à greve cumprida no dia de hoje.

Em Braga, para um primeiro balanço do quarto e último dia de greve dos professores, protesto que hoje se realiza na zona norte e Açores, Mário Nogueira lembrou que os docentes não são "reféns de ninguém", lamentando assim as declarações do ministro da Educação que, segundo o líder da Fenprof, afirmou que a recuperação de tempo de serviços dos professores poria em causa o descongelamento das carreiras de outros trabalhadores.

A greve, tal como nós já esperávamos, tem uma expressão idêntica à de ontem [quinta-feira], eventualmente até acima, aliás era uma coisa que aguardávamos, que houvesse um crescendo na adesão", referiu o sindicalista.

Mário Nogueira deixou críticas ao ministro Tiago Brandão Rodrigues e à posição do Governo nas negociações.

Ao longo destes dias ouvimos coisas como aquela declaração absolutamente infeliz do ministro da Educação de que não podia haver recuperação de tempo de serviço dos professores uma vez que isso poria em causa o descongelamento das carreiras de outros trabalhadores", disse.

"Nós não somos reféns de ninguém, como ninguém é refém dos professores", salientou.

Segundo o líder da Fenprof, os sindicatos estão abertos a negociar, com exceção para um ponto: "A recuperação de tempo de serviço, e é isso que temos levado à negociação, discutir e negociar os ritmos, os tempos, as prioridades, estamos disponíveis para discutir tudo. Há uma coisa que os sindicatos não discutem nem negoceiam, que é o tempo de serviço que as pessoas cumpriram", assumiu.

Tempo esse que fixou em "9 anos, 4 meses e dois dias, é isso que o Governo tem de negociar".

Quanto ao dia de greve, o sindicalista deu conta de algumas escolas encerradas, embora tenha explicado que ainda não é possível aferir se essa situação se deve à greve dos professores ou do pessoal não-docente.

Há muitas escolas fechadas, não apenas pela greve os funcionários. Temos inúmeros jardins-de-infância, inúmeras escolas do primeiro ciclo encerradas por greve dos colegas, como o agrupamento de Maximinos [em Braga] em que dos 141 professores, 121 estão em greve", apontou.

O balanço final, referiu Mário Nogueira, será feito às 15:00, mas o Sindicato de Professores do Norte adiantou já que escolas como a de Celeirós, Real, a André Soares, a Gulbenkian, todas em Braga, estariam encerradas, assim como a Clara de Resende, Ramalho Ortigão, no Porto e "todo um conjunto significativo de escolas a norte".

A greve de professores, que sob a forma de paralisações regionais percorreu todo o país, termina hoje, com a paralisação as escolas do norte e da região autónoma dos Açores.

A greve tem como principal motivação a falta de consenso sobre a contagem de todo o tempo de serviço, no processo de descongelamento das carreiras da Função Pública.

A tutela admite descongelar dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, mas estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses, embora admitam um processo faseado.

A greve foi convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que assinaram a declaração de compromisso com o Governo, em novembro, entre as quais as duas federações - Federação Nacional de Educação (FNE) e Fenprof - e oito organizações mais pequenas.