O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE) manifestou-se esta quinta-feira favorável a uma reorganização dos ciclos de ensino, repartida em seis anos para o ensino básico e outros seis para a restante escolaridade obrigatória.

Em declarações à agência Lusa, João Dias da Silva justificou a alteração com a necessidade de repensar a organização dos ciclos de ensino, após o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos.

Inclinamo-nos muito para que, de uma forma faseada, se caminhe no sentido da eliminação do 2.º Ciclo e haver uma escolaridade básica de seis anos, seguida de uma escolaridade secundária de seis anos (6+6)”, disse Dias da Silva ao antecipar os temas da IV Convenção Nacional FNE/CONFAP/ANDAEP, a realizar no sábado, em Santa Maria da Feira.

Na reunião anual dos representantes da FNE, da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), vão estar em debate questões como os currículos e a organização dos estabelecimentos de ensino.

O objetivo é repensar o que as escolas estão a fazer e o que é preciso mudar, também ao nível da decisão política, frisou.

A ideia de repensar os ciclos de ensino foi lançada por nós e sabemos que a FENPROF e a FNE são a favor, agora é preciso discuti-la com todos os intervenientes e alcançar um largo consenso”, disse à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

A iniciativa vai juntar mais de 200 participantes para discutir também o rumo dos currículos, com as queixas a incidir nos programas de matemática.

Os diretores continuam a reclamar uma “efetiva autonomia”, nomeadamente ao nível da constituição das turmas.

Para Filinto Lima, mais importante do que definir o número máximo e mínimo de alunos por turma, seria atribuir um número de turmas a cada escola e o diretor poder decidir a respetiva constituição.

“Eu, que conheço muito bem os meus alunos e os meus professores, poderia fazer turmas de 30 – que às vezes funcionam muito bem – e turmas mais pequenas”, exemplificou.

Para os diretores, a medida anunciada pelo ministro da Educação para as escolas poderem dispor de 25 por cento do currículo é ainda “um passo muito tímido”.