Os educadores de infância devem acompanhar a evolução de cada criança, em vez de avaliar os seus conhecimentos através de uma check list, como acontecia em alguns jardins-de-infância, por falta de clarificação das regras que foram agora revistas.

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, de 1997, foram revistas por uma equipa de investigadoras da qual faz parte a diretora do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que contou à Lusa que o trabalho está concluído e entrará em vigor no próximo ano letivo.

O principal objetivo da revisão foi “clarificar a informação, porque havia muitos educadores de infância que tinham dificuldades na compreensão e aplicação” do que estava definido, explicou a investigadora do ISPA – Instituto Universitário, Lourdes Mata.

“Muitos educadores sentiam-se pressionados pelas direções das escolas para fazer a avaliação dos alunos e as orientações curriculares tinham informação muito ambígua sobre a avaliação. Agora, são dadas indicações concretas”, explicou a professora, sublinhando que “as escolas estavam a avaliar de formas muito diferentes: umas tinham uma avaliação sócio-construtivista, mas outras, nem tanto”.

Havia escolas que faziam uma check list de conhecimentos e depois as crianças eram avaliadas consoante o nível que tinham conseguido atingir, revelou a diretora do departamento de Psicologia da Educação do ISPA.

No entanto, o objetivo do ensino pré-escolar não é esse: “O importante é compreender a evolução da criança, de cada uma delas, e ajudá-la a ir evoluindo”, resumiu a investigadora.

A ideia é que, da brincadeira, das vivências do dia-a-dia e da curiosidade natural das crianças, estas aprendam, sem criar um ambiente tradicional de sala de aula, explicou à agência Lusa a investigadora do ISPA – Instituto Universitário.

“O importante é perceber se estão a evoluir e não tanto se sabem fazer cinco ou seis letras”, exemplificou Lourdes Mata, contestando as escolas que estabeleciam metas iguais para todos.

As novas orientações curriculares vão estar disponíveis “num 'micro-site' dentro do 'site' do Ministério da Educação”, contou.