As aulas ainda agora começaram mas já são muitos os pais que procuram explicações para os filhos. Apesar do tema ainda ser controverso, a psicóloga Sílvia Botelho garantiu, em entrevista à TVI, que é “demasiado cedo” para procurar auxílio nos estudos, mesmo para quem queira lutar por uma média final alta.

“Tudo o que é em demasiado só vai prejudicar. Vai ser contraproducente”, afirmou a psicóloga. “Quem precisa de explicações aqui se calhar são os pais, porque ainda é muito cedo”.

“Os pais começam a procurar as explicações muito antes, mesmo nas férias querem que os filhos comecem a estudar demasiado. A verdade é que devemos ter explicações quando há necessidade para isso. Coloca-se aqui a questão da competitividade, o querer ser melhor do que os outros”.


A médica acredita que têm de ser os adultos a perceber que a pressão colocada nas crianças e nos jovens em idade escolar pode estimular a competitividade, mas esta pode não trazer bons resultados. A pressão pode levar ao medo de falhar e a diversas perturbações da ansiedade, que são cada vez mais comuns nos consultórios, porque “o perfeccionismo cria frustração e infelicidade”.

Sílvia Botelho acrescentou também que é importante treinar os filhos para “ganhar e para perder”, porque muitas crianças podem “fazer birras” e sentir-se culpadas por estarem frustradas com os maus resultados.

Para além disto, a pressão para ser bem-sucedido às áreas a português, matemática e físico-química, que são também as matérias mais procuradas para ajuda extracurricular, pode levar também a sentimentos negativos. As notas também não determinam o sucesso laboral.

“Cada pessoa tem as suas mais-valias. Há pessoas que são boas a português, outras a matemática. Mas há pessoas que são criativas, são sensíveis. Às vezes uma pessoa ter boas notas não significa que vai ser um bom profissional”.


A psicóloga ressalva que há outras formas de estimular a competitividade, “a partir de jogos e brincadeiras”. Os adultos têm de perceber que “mais importante do que tirar boas notas na escola é educar para ter valores e princípios”.