A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, mostrou-se, este sábado, receptiva a que as escolas venham a estar abertas 12 horas, um pedido apresentado no Encontro Nacional de Associações de Pais, que decorre em Mira, avança a agência Lusa.

Salientando que já há escolas que funcionam entre as 08:00 e as 20:00, pelo que o pedido será para a sua generalização, a ministra admitiu haver vantagens em manter as escolas abertas, mas salvaguardou que tal não pode significar a permanência dos alunos 12 horas por dia na escola, ou dos profissionais.

«Trata-se de um horário de funcionamento: não podemos confundir isso com horário de permanência das crianças na escola, com o horário de permanência dos professores ou dos outros técnicos na escola», disse.

Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou que «em muitas localidades, a escola oferece-se como espaço mais qualificado e com mais recursos, com salas bem apetrechadas do ponto de vista tecnológico».

«Podem servir as comunidades em que se inserem, com ofertas formativas e serviços que beneficiem os pais dos alunos, mas também as instituições de proximidade», concordou.

Questionada pelos jornalistas sobre o processo de avaliação nas escolas, a ministra disse que «os dados estão a ser trabalhados e serão oportunamente divulgados», recusando-se a comentar outros assuntos, designadamente sobre a luta dos docentes ou o concurso nacional de colocação de professores.

Na cerimónia de abertura do encontro, promovido pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Maria de Lurdes Rodrigues salientou que o Governo tem procurado criar condições para uma participação mais directa dos pais no sistema de ensino, quando há 30 anos a mentalidade era de que os pais só iam às escolas tratar de questões disciplinares.

«Demos passos muito importantes», disse, lembrando a aprovação da Lei das Associações de Pais e realçando a mudança «com tranquilidade» do modelo de gestão escolar, com a participação dos pais, que «até ao final do ano» deverá ficar concluída.

Várias medidas do Governo

Maria de Lurdes Rodrigues enumerou várias medidas do Governo para apoio às famílias, tendo triplicado o número de alunos abrangidos pela acção social escolar, área em que concluiu haver «ainda muito a fazer».

«Medida poderosa» foi como classificou a generalização dos computadores e do acesso à Internet, nomeadamente por criar condições para a igualdade de oportunidades entre crianças de origens sociais diferentes.

«No final deste ano lectivo será muito diferente o acesso ao conhecimento e à igualdade de oportunidades», salientou.

Referiu-se ainda à rede pré-escolar e ao ensino especial para descrever a reforma «em várias frentes» que o Governo está a promover no sistema de ensino, acolhendo em muitas das medidas os pontos de vista que têm sido defendidos pelas associações.

Foi com palavras elogiosas que o presidente da COFAP, Albino Almeida, recebeu a ministra, reconhecendo que «há muita coisa que já se conseguiu».

Albino Almeida salientou ainda a importância do Ministério da Educação cumprir a legislatura e com a mesma titular, concluindo a sua intervenção com a necessidade «de um novo protocolo» que enquadre a participação dos pais.