O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino, defende que o Ministério da Educação deve proporcionar «melhor informação e mais detalhada» na divulgação dos rankings de estabelecimentos de ensino.

«Tem que haver a publicação desta informação, mas o Ministério tem de proporcionar melhor informação, mais detalhada, até para que se possa fazer o cruzamento de variáveis e se possam ter leituras mais complexas» dos resultados obtidos pelas escolas, afirmou David Justino em declarações à Lusa.

Em seu entender, «há uma situação muito diversificada e é preciso ter algum cuidado com isso». «A injustiça não está no ranking, mas nas leituras que se fazem, muitas vezes precipitadas, desses rankings. É como as anedotas picantes: a maldade está sempre em quem ouve, nunca está em quem diz».

«A publicação dos resultados escolares é positivo, primeiro para as escolas, no que respeita à análise comparada do seu desempenho, e sem segundo lugar é bom também para as famílias, para as comunidades locais que gostam de saber se a sua escola está ir bem ou não. Não é no sentido de julgar a escola, mas é acima de tudo avaliar a escola para fazer melhor», disse.

E nessa perspetiva, «independentemente de termos escolas ou muito no topo do ranking ou na base do ranking, o que é importante é que as escolas ganhem dinâmicas de qualificação, melhorem as suas aprendizagens, e para isso é necessário em termos comparados analisarem os seus resultados, confrontá-los com outros e saber onde é que estão a errar, onde é que podem fazer melhor, onde é que já estão a fazer bem e onde podem ir mais além», acrescentou.

David Justino falava à Lusa à margem das Jornadas de Autonomia, organizadas pela Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares na Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia.

Durante a sessão, presidida pelo secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, foram assinados 28 novos contratos de autonomia, perfazendo um total superior a 170 agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.

Segundo João Casanova de Almeida, em dezembro serão assinados contratos com mais 52 escolas.

Estes contratos dão aos responsáveis escolares a possibilidade de definir a organização e gestão da escola de forma a conseguir maior sucesso escolar dos alunos e menor abandono escolar.

Para pôr em prática os seus projetos educativos, os diretores podem apresentar propostas de «gestão pedagógica e curricular diferenciada em função dos diferentes contextos, alunos e públicos escolares», refere a portaria que no verão de 2012 veio definir as regras dos contratos de autonomia.

«Um dos objetivos é que as escolas percebam que podem atuar de uma forma diferenciada, com muito mais flexibilidade, mesmo a nível curricular, quando estabelecem contratos de autonomia. O caminho da autonomia será o caminho que pode diferenciar cada escola por si, numa unidade nacional de conhecimentos que se pretende que sejam universais para todos os alunos», acrescentou o secretário de Estado.