A Associação de Professores de Matemática (APM) saudou as melhorias nos resultados alcançados pelos alunos portugueses no Pisa 2012, mas teme que o novo programa de matemática do Ministério da Educação venha a inverter essa tendência.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) destaca Portugal como um dos poucos países que, tendo participado em todas as avaliações deste 2003, apresenta uma melhoria média em matemática de mais de 2,5 pontos por ano.

Os resultados dos portugueses nas três áreas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2012 continuam abaixo da média europeia, no entanto a OCDE sublinha a melhoria que se tem vindo a registar na performance dos portugueses desde 2003.

A presidente da APM considera que este é o resultado do trabalho que vinha a ser realizado nos últimos anos com professores, alunos e currículos de matemática.

Lurdes Figueiral lembrou o «grande investimento» feito na formação dos professores de matemática ou o anterior programa para o ensino básico, que começou a ser aplicado gradualmente em 2007 mas acabou por ser revogado no ano passado.

«O trabalho que vinha sendo feito foi agora interrompido», criticou Lurdes Figueiral, referindo-se à mudança do Programa de Matemática do Ensino Básico, que entrou no passado ano letivo em vigor.

A presidente da APM acredita que «estão criadas as condições para piorar em grande linha os resultados dos alunos portugueses», nomeadamente o aumento do número de alunos por turma, o crescente descontentamento dos professores e o novo Programa de Matemática para o Ensino Básico (PMEB).

«Nós tememos muito que as opções feitas com o currículo para o ensino básico, implementado este ano para os 1.º, 3.º, 5.º e 7.º anos, venha a inverter o desempenho dos alunos, porque o Pisa testa grandes capacidades matemáticas, que é precisamente o que este curriculum agora desvaloriza», acusou a presidente da APM, em declarações à Lusa.

Lurdes Figueiral teme os resultados da próxima prova do Pisa, que serão divulgados dentro de três anos: alguns dos estudantes que estão agora no 7.º ano serão os próximos a realizar a prova e estes «sofreram estas alterações curriculares totalmente absurdas», além de terem tido «três programas diferentes de matemática no ensino básico».