O presidente da Câmara de Lisboa anunciou esta segunda-feira  que a autarquia vai criar mais creches na cidade, para servir não só os residentes como também a população que se desloca para trabalhar no concelho, tendo já definido freguesias prioritárias.

“O que importa é criar soluções que sejam mais rápidas do ponto de vista da concretização dos equipamentos”, além de fazer a identificação “rigorosa dos sítios, dos locais exatos onde podem ser mais úteis e eficazes” para suprir as dificuldades das famílias, afirmou Fernando Medina.


O autarca socialista falava aos jornalistas após a inauguração de uma creche na Rua João Chagas, freguesia de São Domingos de Benfica, gerida pela Associação de Educação e Promoção Social de Santos (APROS).

Fernando Medina assinalou que a cidade tem a particularidade de ter uma dimensão da população flutuante “muito elevada”, pelo que se devem definir locais para a criação de creches.

Desde logo, em “zonas em que a pressão se coloca mais, não pela pressão demográfica residencial mas pela pressão demográfica do ponto de vista da população trabalhadora”, enumerou o autarca, referindo-se às freguesias de Santo António e Avenidas Novas.

Porém, a prioridade do município são as zonas residenciais, “nomeadamente nas freguesias que estão aqui na coroa norte da cidade de Lisboa. Falo de São Domingos de Benfica, de Benfica, do Lumiar, em que há carências identificadas do ponto de vista de números de creches”, apontou.

Atualmente, existem 105 creches com acordos públicos na cidade, com capacidade para 5.800 crianças. Destas, 33 creches são apoiadas pelo município – através da cedência de espaços ou da construção de infraestruturas –, num total de 1.880 crianças.

“Estamos a concluir essa análise da localização e da dimensão [de creches] que necessitamos nos próximos anos”, mas “terá sempre um número com algum significado”, frisou Fernando Medina, como reporta a Lusa.

O presidente do município salientou, contudo, que a autarquia não se pretende substituir ao Estado, no financiamento destes equipamentos, nem às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) na gestão das mesmas, trabalhando antes em parceria.


“É nossa competência apoiar [as creches], do ponto de vista de uma política de desenvolvimento da cidade, e para isso se poder fazer de forma harmoniosa precisamos desta dupla parceria, com a administração central, por um lado, mas também com as IPSS”, explicou.


Este é, segundo Fernando Medina, “o único modelo possível para um programa de expansão de creches, porque as câmaras municipais não têm competência na área da ação social relativamente à gestão” das mesmas.

A câmara pretende, assim, “servir adequadamente a cidade e servir, fundamentalmente, aquelas pessoas cujos rendimentos não permitem o pagamento integral das mensalidades”, concluiu Fernando Medina.

A creche  inaugurada esta segunda-feira, da APROS, está em funcionamento desde setembro do ano passado, contando com 59 crianças, entre os cinco meses e os 5 anos.