A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) quer que sejam os docentes dos alunos do 1.º ciclo a ensinar-lhes inglês, desde que tenham formação para tal, em vez de se criar um grupo de recrutamento específico.

A proposta da Fenprof foi divulgada um dia após o Ministério da Educação e Ciência (MEC) ter colocado em consulta pública a sua proposta de metas curriculares para o inglês no 1.º ciclo e uma semana após o Conselho de Ministros ter aprovado as medidas que tornam obrigatória aquela língua a partir do 3º ano de escolaridade, retirando-o assim das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC).

Para a Fenprof, deve ser dada prioridade aos professores titulares do 1.º ciclo que tenham formação adequada para ensinar inglês, que no próximo ano passará já a ser obrigatória.

Quando tal não acontece, devem então ser recrutados professores do 1.º ciclo que não estão colocados e têm formação em inglês, seguindo-se depois todos os docentes habilitados para o Inglês no 1º ciclo e, finalmente, os docentes de outros grupos de recrutamento profissionalizados para o ensino do inglês, desde que frequentem ações de formação que lhes permitam dar aulas aos alunos mais novos.

Em comunicado, a Fenprof diz que esta sugestão foi apresentada à tutela, de quem espera a clarificação de algumas questões, tais como quem terá formação para dar as aulas, qual será a formação necessária e quem irá dar e certificar essa formação.

A FENPROF voltou a sublinhar que a avaliação dos alunos deve ser apenas interna, qualitativa e não ser sujeita a exames nem a retenções.

Defensores da introdução de uma segunda língua, «de forma lúdica, o mais cedo possível», a FENPROF entende que esta mudança vai significar mais duas horas de aulas semanais, o que “não deverá acontecer num escalão etário tão baixo, pois a mesma poderá representar, do ponto de vista pedagógico, uma maior saturação em relação à escola”.

Citando o relatório «Tempo Letivo Recomendado no Ensino Obrigatório Europeu», a Fenprof lembrou que os alunos portugueses já são dos que têm maior carga letiva entre os europeus e, se passaram agora de 25 para 27 horas semanais de aulas, «o problema ainda se agravará».

Com a introdução da disciplina no currículo do 1.º ciclo, os alunos vão passar a ter sete anos de inglês obrigatório, do 3.º ao 9.º ano de escolaridade.