A Fenprof disse esta sexta-feira que preferia que o novo modelo de avaliação do ensino básico eliminasse também os exames do 9.º ano e a FNE critica que a decisão do Ministério da Educação não resulte de um compromisso alargado.

“Saudamos esta decisão do ministério. Em nossa opinião faria sentido que fosse 4.º, 6.º e 9.º, mas admitimos que se comece por aqui. Admitimos que também era necessário não fazer uma mudança tão rápida, de um momento para o outro. Às vezes há tempos. Se se fizer bem cada coisa em seu tempo, é preferível. Não vamos retirar importância à decisão por não ser também no 9.º ano. Vamos esperar que a avaliação do processo possa levar a que se estenda também ao 9.º ano”, disse à Lusa Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).


O Ministério da Educação decidiu aplicar provas de aferição no 2.º, no 5.º e no 8.º ano de escolaridade e manter a prova final no 9.º ano, foi hoje anunciado.

“A aferição a meio do percurso é a única da qual se pode esperar algum resultado, porque esta aferição vai permitir que se compreendam atempadamente as dificuldades que os alunos têm e se definam as estratégias de superação. Agora isto impõe que as escolas, que foram vítimas de fortes restrições e constrangimentos ao longo dos últimos quatro anos, tenham condições de resposta”, defendeu Mário Nogueira, que disse serem necessários mais recursos humanos, melhores condições nas turmas, e mais horas de trabalho com os alunos.


Por seu lado, a Federação Nacional da Educação (FNE) lamentou que a decisão tenha efeitos já no presente ano letivo, quando este já vai a meio, e criticou que o novo modelo não resulte de um compromisso alargado.

“A FNE lamenta não ter sido ouvida pelo ME sobre esta matéria, e ainda que não se tenha procurado obter um compromisso alargado para serem tomadas decisões que deveriam ter durabilidade. Neste contexto, outro governo posterior poderá agir da mesma forma e deliberar em sentido diferente, com as consequências de instabilidade, insegurança e desconfiança que estas situações sempre promovem”, refere a estrutura sindical em comunicado.


À semelhança dos diretores escolares, a FNE também entende que a decisão devia ter tido um debate prévio, alargado, considerando “essencial que a comunidade educativa e a comunidade científica fossem envolvidas na formulação da solução a ser encontrada, de forma que a percebam e se sintam reconhecidas na solução final”.

Tal como a Fenprof, a FNE alerta o Ministério da Educação para a necessidade de dotar as escolas com os “recursos materiais e humanos” necessários ao apoio aos alunos e que permitam resultados de sucesso.