Cerca de uma centena de estudantes do ensino superior manifestaram-se esta quinta-feira em Lisboa para exigir melhores condições para estudar, tais como o pagamento das bolsas em atraso e o fim dos juros das propinas.

Ao início da tarde, dezenas de alunos de várias faculdades concentraram-se em frente à cantina da Universidade de Lisboa, onde durante meia hora gritaram palavras de ordem como "bolsas sim, propinas não. Este governo não tem educação".

A manifestação seguiu pelas ruas da capital até a porta do Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro, onde os estudantes chegaram às 16:00, no exato momento em que António Costa tomava posse como primeiro-ministro.

"Seja que governo for, se não virmos efetivamente mudanças vamos continuar a lutar por aquilo que queremos" explicou à Lusa Teresa Bonito, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, quando questionada sobre a opção de agendar uma manifestação para o dia em que estava de saída a coligação PSD/CDS-PP e tomava posse um novo Governo PS.

Entre as exigências dos alunos estava o fim dos juros de mora por atraso no pagamento das propinas, uma medida que levou a um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas que foi hoje entregue no ministério.

"Os alunos quando se atrasam a pagar as propinas não é porque se esqueceram mas sim porque não podem pagar", disse à Lusa Teresa Bonito, acrescentando que os juros só agravam a já difícil situação dos estudantes.

O atraso no pagamento das bolsas e a regularização da situação foi outra das reivindicações dos manifestantes que gritaram palavras de ordem como "não é, não é, não é só um caso. São milhares de alunos com as bolsas em atraso".

Entre os manifestantes, Matilde Mateus era uma das alunas que continua a aguardar o pagamento da bolsa.

A estudante de mestrado do ISCTE tem direito a pouco mais de mil euros, mas ainda só recebeu duzentos.

Com uma propina anual de 2500 euros, Matilde lamenta que a bolsa "não chegue a metade da propina anual".

Como a matrícula de inscrição no mestrado custa 300 euros, o que recebeu não chegou sequer para fazer face a este primeiro custo do seu curso.

"Agora tenho duas propinas em atraso", desabafou, sublinhando que não se poderá inscrever no segundo ano de mestrado caso não tenha as suas dívidas saldadas.

"Ou temos dinheiro para pagar ou não estudamos", criticou Matilde, revelando que a sua irmã "não se conseguiu matricular este ano por falta de dinheiro".

Os alunos voltaram hoje a lamentar a falta de professores e de pessoal não docente, a falta de condições materiais para o ensino e a chamar a atenção para a degradação dos edifícios e dos equipamentos das escolas, com destaque para os laboratórios, bibliotecas e salas de estudo.

“Venha quem vier é preciso investimento no ensino superior”, lia-se no panfleto que os estudantes distribuíram à porta da cantina.