O Ministério da Educação e a EDP assinaram esta quarta-feira um protocolo de alargamento do curso vocacional em redes elétricas, que pode vir a dar resposta à necessidade de substituição de 2.000 pessoas na empresa nos próximos cinco anos.

“Para a formação que está aqui em causa a EDP vai precisar nos próximos cinco anos de duas mil pessoas. Há uma renovação geracional e há novas necessidades e para isso é preciso que o mercado tenha capacidade de dar resposta”, disse o presidente do conselho de administração da EDP, António Mexia, aos jornalistas, no final da cerimónia de assinatura do protocolo.


O acordo entre a empresa de produção e distribuição de energia e o Governo pretende reforçar o curso vocacional no ensino secundário de técnico de redes elétricas, que no ano letivo transato funcionou pela primeira vez na escola secundária António Damásio, em Lisboa.

No próximo ano letivo o curso volta a abrir turmas no próximo ano letivo na escola António Damásio e vai chegar também às escolas secundárias São Pedro, em Vila Real, e Dr. Francisco Fernandes Lopes, em Olhão.

Com estes cursos, os alunos conseguem em dois anos uma qualificação ao nível do ensino secundário, que os habilita a exercer a profissão de técnico de redes elétricas depois de um ano de formação académica e um ano de formação em contexto de trabalho, em estágios assegurados pela EDP.

António Mexia ressalvou que este tipo de ensino torna os jovens “mais empregáveis” e ajuda a fixá-los em regiões 2 onde hoje é muito difícil encontrar pessoas com as competências” que a EDP precisa.

O presidente do conselho de administração da EDP admitiu que o alargamento de um para três cursos a partir do próximo ano letivo poderá, no ano seguinte, ser revisto “desde que haja efetivamente envolvimento”.

“A empresa não pode fazer isto sozinha, precisamos das escolas, dos politécnicos e em muitos casos das câmaras municipais. Se todos os anos multiplicarmos por três isto resolve-se depressa”, disse, sobre a capacidade de estes cursos darem resposta às necessidades de 2.000 novos funcionários nos próximos cinco anos.


Pelo lado do Ministério da Educação e Ciência, o ministro Nuno Crato sublinhou “o sucesso” do curso que permitiu o seu alargamento e destacou que os jovens que terminarem esta formação “têm muitas vezes emprego garantido”.


Os cursos vocacionais foram lançados em 2012-2013, no ensino básico, tendo apenas chegado esta oferta formativa ao ensino secundário no ano letivo seguinte. O arranque, em ambos os casos, decorreu no âmbito de projetos-piloto.

Os dados do ministério referem que, entre o ensino básico e o ensino secundário, frequentaram os cursos vocacionais em 2014 mais de 27 mil alunos, segundo apurou a Lusa.

No entanto, dados de maio, também divulgados pela tutela, referiam apenas 24 mil alunos, distribuídos por 1.170 turmas, e o envolvimento de cinco mil empresas, necessárias para o conceito deste tipo de ensino, que implica que uma parte da formação decorra em contexto de trabalho.