Cinco escolas, três públicas e duas privadas, conseguiram durante quatro anos consecutivos que os seus alunos melhorassem os resultados relativamente às médias nacionais, comparando as notas nos exames do 12.º ano com as obtidas no 9.º.

Este é um dos indicadores disponíveis a partir deste sábado no site do ministério da Educação e Ciência, que permite perceber o trabalho desenvolvido pelos professores, uma vez que compara a progressão do aluno quando chega à escola (através da nota que obteve nos exames nacionais de Português e Matemática do 9.º ano) com as notas que consegue no final do secundário (nos exames nacionais das duas disciplinas).

Num universo de 575 estabelecimentos de ensino, cinco conseguiram que os estudantes tivessem sempre uma progressão superior à média nacional às duas disciplinas entre 2010/2011 e 2013/2014.

As três escolas públicas que conseguiram estes resultados em todos os anos foram a Escola Básica e Secundária de Búzio, Vale de Cambra; Escola Secundária de Póvoa de Lanhoso e a Escola Básica e Secundária de Ponte da Barca.

O Colégio Nossa Senhora do Rosário e o Colégio da Trofa foram as duas privadas deste lote de cinco estabelecimentos de ensino.

Este indicador tem em consideração o nível académico dos alunos que a escola recebe e por isso permite perceber o trabalho que é desenvolvido pelos professores.

Assim, uma escola secundária que receba alunos com resultados académicos baixos pode, não obstante, ter um indicador de progressão elevado, desde que no 12.º ano esses mesmos alunos estejam melhor do que estavam no 9.º ano, relativamente à média nacional.

É o caso da Escola de Ponte da Barca que, no ano passado, ficou em 482 lugar no ranking das escolas, segundo uma análise feita pela Lusa à média de todos os exames realizados pelos alunos do secundário no ano letivo de 2012/2013. A média desta escola foi de 9,4 valores nos exames.

Os dados agora disponibilizados pelo MEC permitem também perceber que existem 26 escolas que estiveram sempre a melhorar a Português, sendo 17 públicas e 9 privadas.

O trabalho realizado pelas escolas a Matemática ainda foi melhor, com 37 escolas a conseguir este prémio: 26 públicas e 11 privadas.

O Ministério da Educação e Ciência sublinha que este indicador de progressão é menos influenciável pelo contexto socioeconómico onde a escola se insere, porque aqui mede-se apenas a diferença entre os resultados do 12.º e do 9.º ano.
 

“Por exemplo, se um aluno no 9º ano estava abaixo da média nacional e no 12.º estava acima da média, então tem uma progressão positiva. Um aluno que mantém a sua posição relativa tem uma progressão neutra, próxima de zero. Um aluno que no 9º ano estava muito acima da média nacional e no 12.º ano estava abaixo da média, ou só ligeiramente acima da média, tem uma progressão negativa”..


As escolas com progressão negativa nos quatro anos seguidos são menos do que as com progressão positiva: a Português foram 35 (quatro privadas e 31 publicas) e a Matemática 25, todas públicas.

Apenas três escolas desceram durante quatro anos às duas disciplinas: Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes, Ílhavo, Escola Secundária de Odivelas e a Escola Secundária Madeira Torres, Torres Vedras.

Este critério é também menos sensível a fatores como a escolaridade, ou o nível socioeconómico do agregado familiar do aluno, pois, de um modo geral, estes fatores envolventes tendem a permanecer constantes ao longo do tempo, afetando os resultados do aluno tanto no 9.o ano como no 12.o ano.

Nos cálculos do indicador da progressão relativa apenas se consideraram os alunos matriculados em cursos Científico-Humanísticos.
 

Escolas que inflacionam as notas são sobretudo privadas


Dezoito escolas, na sua maioria privadas, deram notas aos seus alunos acima dos valores médios espectáveis, enquanto outras onze, maioritariamente públicas, deflacionaram as notas internas, o que poderá indiciar diferentes critérios de avaliação.

Quando se candidatam ao ensino superior os alunos concorrem com as notas que obtiveram ao longo dos três anos do ensino secundário (notas internas) e com os exames nacionais.

Idealmente, as escolas deveriam ter critérios de avaliação semelhantes e o Ministério da Educação e Ciência criou um critério para tentar comparar esses critérios. Assim, foram comparadas as notas internas atribuídas pelas escolas aos seus alunos com as notas internas atribuídas pelas outras escolas do país a alunos com resultados semelhantes nos exames nacionais.

Os resultados, que analisam quatro anos, apontam para onze escolas que sistematicamente dão notas mais baixas aos seus alunos e outras dezoito que estão a fazer o oposto, ou seja, a inflacionar as notas internas.

Entre as onze escolas “mais exigentes”, sete são públicas: Escola Secundária José Estevão, em Aveiro; Escola Básica e Secundária da Batalha; Escola Secundária Damião de Goes, em Alenquer; Escola Secundária de São João do Estoril, em Cascais; Escola Secundária do Restelo, em Lisboa; Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa e Escola Secundária Dr.ª Felismina Alcântara, em Mangualde.

As privadas que deflacionaram as notas são Colégio Rainha D. Leonor; Colégio Dr. Luís Pereira da Costa; Escola Técnica e Liceal Salesiana de Stº António e Colégio Santo André.

Já no sentido oposto, há mais escolas privadas a dar melhores notas do que públicas: dos 18 estabelecimentos de ensino que inflacionam as notas internas, quatro são públicas e 14 privadas.

Entre as privadas, encontram-se o Colégio "D. Diogo de Sousa", Colégio João Paulo II, Externato "Carvalho Araújo", Colégio Sezim - Egas Moniz, Externato "Camões", Externato Liceal "Paulo VI", Colégio Novo da Maia, Colégio D. Duarte, Externato "Ellen Key", Colégio "Luso Francês", Externato "Ribadouro", Colégio da Trofa, Colégio do Minho e Colégio de Lamego.

Já as públicas que deram notas acima do espetável, encontram-se a Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar, a Escola Secundária de Fafe, Escola Secundária João de Deus, em Faro, Escola Secundária D. Afonso Sanches, em Vila do Conde.

Para esta análise foram analisados os exames nacionais dos 11.º e 12.º anos, de todas as disciplinas, realizados na 1.º fase pelos alunos internos de 558 escolas.
 

Um em cada cinco alunos chumba ou desiste durante o ensino secundário


Um em cada cinco alunos chumba ou desiste de estudar no ensino secundário e é no 12ª ano que o sucesso se revela mais complicado.

Entre os anos letivos de 2009/2010 e 2012/2013, 22% dos alunos do secundário inscritos em cursos cientifico-humanísticos não conseguiram fazer os três anos de escolaridade no tempo previsto, segundo a taxa de retenção ou desistência.

Nesta taxa, que mostra a percentagem de alunos que não transita para o ano seguinte, misturam-se os casos de quem reprova com aqueles que anulam a matrícula, por várias razões como desistirem de estudar ou abandonar o país.

Os dados mostram que o 12.º ano é o mais difícil, com 35% dos alunos a não conseguir terminá-lo com sucesso à primeira.

Olhando para a evolução ao longo dos três anos percebe-se que os alunos têm algumas dificuldades quando chegam ao 10.º ano (17% dos estudantes não passam ou desistem), mas no 11.º ano a situação melhora um pouco (taxa de retenção é de 13%).

No entanto, nos últimos anos, o insucesso escolar no 10ª ano diminuiu (de 18% para 16%), mas no 11º ano verificou-se a tendência oposta, com a taxa de retenção a subir de 12% para 14%.

Os municípios com mais problemas são Mogadouro (37%), Amadora e Ourique (ambos com 35%), Mora e Penamacor (34%) e Alter do Chão (33%), onde um em cada três alunos não consegue fazer o secundário em três anos.

Pampilhosa da Serra e Sines (ambos 30%) e Moita e Torre de Moncorvo (31%) são outros dos distritos mais preocupantes.

Alguns municípios repetem-se quando se olha apenas para os resultados do 12.º ano, onde mais de metade dos alunos não conseguiu concluir o último ano de ensino à primeira: Alter de Chão volta a destacar-se pela negativa com 61% dos alunos a não conseguir fazer o último ano à primeira, seguindo-se Mogadouro e Mação (55%) e Amadora (52%).

Entre as zonas do país com mais sucesso escolar surgem apenas seis municípios com taxas abaixo dos 15%, com destaque para Murtosa, onde apenas um em cada dez alunos (10%) não consegue fazer este ciclo de ensino nos três anos previstos.

Depois, surge o Entroncamento (11%) e Moimenta da Beira (13%) e, com uma taxa de 14%, os municípios de Armamar, Ponte de Lima, Paredes de Coura, São Brás de Alportel, Carrazeda de Ansiães, Mira e Arruda dos Vinhos.

Nelas, Monção, Manteigas, Arouca, Oliveira de Azeméis, Ansião e Batalha são as zonas do país onde se registaram 15% de retenções ou desistências.

Num universo de 244 municípios analisados, 105 tiveram taxas de reprovação e desistência acima da média, 124 a baixo e 15 autarquias ficaram dentro da média nacional de 22%.
 

Rapazes em minoria


As raparigas são a maioria nas escolas portuguesas, com destaque para Vila Nova de Paiva, onde quase 70% dos alunos do município são do sexo feminino, uma realidade só contrariada em oito autarquias onde há mais rapazes.

Com base nos 190.127 alunos matriculados nas escolas em cursos científico-humanísticos no ano letivo 2012/13, Vila Nova de Paiva surge como o distrito onde a diferença entre rapazes e raparigas é a mais gritante: dos 235 alunos inscritos no ensino secundário, apenas 32% são rapazes.

A média nacional dos cursos científico-humanísticos é de 45% de rapazes para 55% de raparigas e em apenas oito municípios do país os rapazes são maioria.

Estarreja é o que apresenta maior predominação de rapazes (59%), seguindo-se Benavente (58%) e Nisa, Macedo de Cavaleiros e Covilhã (os três com 53%).

Lagos (52%), Reguengos de Monsaraz e Vila de Rei (51% do sexo masculino) são as zonas do país onde as turmas têm mais rapazes do que raparigas.

O equilíbrio encontra-se em Valongo e na Golegã, onde as percentagens são de 50% para cada lado.