A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) propõe que os alunos do ensino básico e secundário tenham apenas dois semestres, como no ensino superior, facilitando a avaliação e evitando um terceiro período demasiado curto.

A propósito da publicação, esta quinta-feira, em Diário da República, do calendário escolar para o próximo ano letivo, o vice-presidente da ANDAEP, Filinto Lima, disse à Lusa que a divisão do ano escolar em apenas dois semestres, com avaliações no final de cada um deles, facilitaria os momentos de avaliação, e evitaria um terceiro período demasiado curto, como aconteceu neste ano letivo, «sem dar tempo de recuperação de notas aos alunos».

A ideia passaria também por deixar de ter um calendário escolar dependente, sobretudo, do feriado móvel da Páscoa, que condiciona a extensão dos 2.º e 3.º períodos.

Filinto Lima entende que as pausas no Natal, Carnaval e Páscoa se manteriam, podendo ser, eventualmente, mais curtas.

O vice-presidente da ANDAEP deixou ainda críticas à marcação das datas das provas finais de Português e Matemática para os alunos do 4.º e 6.º anos, novamente para o mês de Maio.

«Vão ser quatro manhãs sem aulas nas escolas e uma semana de trabalho perdida para os professores», criticou o representante dos diretores escolares, que entende que este agendamento prejudica o cumprimento das horas estabelecidas para lecionar, na íntegra, os currículos das diferentes disciplinas.

Para Filinto Lima estes exames, à semelhança do que acontece para os exames do 9.º, 11.º e 12.º anos, os mais novos deviam também fazer exames depois de concluído o período de aulas, e não quando este ainda decorre.

Este ano as confederações de associações de pais insurgiram-se contra o calendário escolar, pelas pausas involuntárias que os exames provocaram nas aulas dos mais novos, devido ao tempo de aulas que os professores ocuparam com a correção das provas, levando mesmo os encarregados de educação a propor o prolongamento do período de aulas, como compensação.

Este ano, o 3.º período nas escolas, além de particularmente curto devido ao feriado da Páscoa em Abril, foi também perturbado pela realização de eleições europeias, levando a que alguns estabelecimentos que foram locais de voto não tenham aberto na segunda-feira seguinte ao domingo de eleições, nem na sexta-feira que o antecedeu, por questões logísticas.