O ministro da Educação afirmou hoje que a União Europeia pretende aumentar a cooperação com universidades africanas e asiáticas, nomeadamente com a China, e admitiu que o ensino de uma segunda língua estrangeira possa vir a ser obrigatório.

As posições de Nuno Crato foram assumidas em declarações aos jornalistas em Bruxelas, à margem da reunião do Conselho de Educação.

O governante português adiantou que a introdução de uma segunda língua estrangeira obrigatória nas escolas é uma hipótese em cima da mesa entre os 28 Estados-membros e admitiu a possibilidade de o ensino de inglês ser alargado de cinco para sete anos.

«Como sabem nós transformámos o inglês em língua obrigatória ao longo de cinco anos de escolaridade, foi uma decisão deste Governo, e estamos a estudar a possibilidade de esse ensino obrigatório ser introduzido mais cedo e ser estendido a sete anos», disse.

Sobre a possibilidade de ser introduzida uma segunda língua estrangeira entre as disciplinas obrigatórias, Nuno Crato afirmou que os ministros europeus têm a ambição de estender a medida «a todos os países».

«Temos a possibilidade de estudar alemão, estudar espanhol, estudar francês, como segunda língua e surgiu recentemente a possibilidade de estender o mandarim como uma das disciplinas opcionais a ter no ensino secundário e talvez mesmo no ensino básico», disse.

Outros dos pontos de discussão foi «o reforço da internacionalização das universidades europeias», especialmente com «vários países africanos e asiáticos com os quais a Europa tem preocupação especial de cooperação, nomeadamente com a China».

Neste ponto, o ministro da Educação sublinhou a importância da recente viagem do Presidente da República à China.

«Tive a oportunidade de informar o Conselho dos nossos esforços recentes em diálogo com os responsáveis chineses para termos uma maior cooperação de nível universitário e de ensino em geral. É muito significativo que entre os muitos acordos assinados na recente viagem presidencial à China o ensino e a ciência tenham surgido como temas essenciais de acordos assinados na presença dos dois presidentes», considerou.

Encerramento de escolas é processo em negociação

Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência negou, em Bruxelas, as acusações da associação nacional de municípios de «falta de diálogo» e reiterou que o processo de encerramento de escolas do 1.º ciclo está em negociação, podendo ser alterado.

«Uma coisa são propostas, outra são decisões. As pessoas não podem pensar que há falta de diálogo por pura e simplesmente serem feitas propostas», disse Crato, acrescentando que «o diálogo faz-se com base em propostas».

O ministro admitiu ainda que há propostas que poderão ser revistas, durante as negociações.

Temos propostas que foram enviadas à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a outras entidades com quem colaboramos e estamos a articular a decisão com os parceiros que existem.

O processo ainda irá «demorar algumas semanas», reconhecendo haver casos «mais difíceis».

Nuno Crato falava aos jornalistas no final de um Conselho de Ministros da Educação da União Europeia.

Na semana passada, o presidente da ANMP, Manuel Machado, reiterou as acusações de «falta de diálogo» entre o Governo e as autarquias sobre o processo de encerramento de 439 escolas, tendo o ministério rejeitado qualquer imposição de fecho de escolas.