Reprovar uma aluna do 4.º ano com mau desempenho escolar tem um efeito positivo muito reduzido, sendo que entre os rapazes esse efeito é nulo, segundo um estudo realizado por investigadores da Universidade Nova de Lisboa.

Um grupo de investigadores decidiu acompanhar os estudantes do 4.º ano com negativa nos dois exames nacionais de Matemática e Português até realizarem os exames do 6.º ano.

Como o chumbo nos exames do 4.º ano não implicava a reprovação nesse ano, a equipa da Universidade Nova de Lisboa criou dois grupos: os que ficaram retidos no 4.º ano e os passaram para o 5.º ano, mesmo com negativa nas duas provas.

Os investigadores compararam assim alunos com baixo desempenho escolar e diferentes percursos escolares e concluíram que reter um aluno tão novo com baixo desempenho tem um impacto muito pequeno ou mesmo nulo nas notas obtidas em anos subsequentes.

No geral, os alunos que ficaram retidos acabaram por melhorar as suas notas: houve um aumento de cerca de 0,1 valores na escala de 1 a 5 nas provas nacionais de 6.º ano, conclui o estudo da responsabilidade do professor Luís Catela Nunes.

Sendo que, no caso dos rapazes, o efeito no seu desempenho foi mesmo nulo, conclui o estudo “Será a repetição de ano benéfica para os alunos” que analisou o percurso dos alunos que estavam a frequentar o 4.º ano em 2006/2007 e a sua trajetória escolar até 2009/2010.

No entanto, o estudo concluiu que existe maior propensão para reter os rapazes, nacionais ou descentes de outros países de língua portuguesa assim como alunos com mães com nível de educação inferior.

Já “o facto de receber apoio social escolar ou de ter computador ou internet em casa não influencia a probabilidade de retenção”, concluem os especialistas.

Os investigadores defendem que os resultados do estudo não podem ser usados para decidir se um dado aluno deve ser retido ou não: “Alguns alunos podem beneficiar duma retenção, enquanto outros podem ser afetados negativamente”, lê-se no estudo.

A progressão escolar nos anos subsequentes parece ser mais rápida para os alunos inicialmente retidos do que para os alunos que transitam. Mas mesmo quando obtemos um efeito positivo da retenção na progressão escolar subsequente, esse efeito não é suficientemente forte para compensar o ano de atraso causado pela retenção inicial”, defendem os investigadores que acabam por concluir ao mesmo tempo que, afinal, “o efeito geral da retenção na progressão escolar de um aluno de baixo desempenho é negativo”.

Portugal é um dos países da OCDE com a mais elevada taxa de retenção e cada chumbo representa elevados custos para o sistema de ensino, por isso os investigadores defendem que esses recursos financeiros “poderiam ser usados em políticas educacionais alternativas mais eficazes no apoio aos alunos com baixo desempenho”.

O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos na área da educação foi apresentado hoje durante a apresentação das iniciativas agendadas para este mês, que a fundação decidiu dedicar à educação.