A Associação de Professores Contratados acusou hoje o Ministério da Educação de cometer um «erro grave» ao insistir no mesmo modelo de recrutamento de docentes, estimando que haja alunos que continuem dias ou mesmo semanas sem professores.

«A insistência neste modelo de concurso é um erro grave. Os alunos não estão no primeiro plano para este Ministério. Continuaremos a ter alunos sem professores nas escolas nos próximos dias e, quem sabe, nas próximas semanas», declarou à agência Lusa o presidente da associação que representa os professores contratos, César Paulo.

A associação reagia desta forma ao anúncio hoje feito pelo Ministério da Educação de que vai ser reaberta até ao fim do dia de terça-feira a plataforma de candidatura à Bolsa de Contratação de Escola (BCE), que motivou já um pedido de desculpas por parte do ministro Nuno Crato devido a erros de colocação.

César Paulo indica que este sistema vai «continuar a colocar professores indevidamente» porque há, na plataforma, subcritérios «dúbios» e que o Ministério da Educação vai manter.

«Provavelmente vão ser novamente colocados professores indevidamente nas escolas. Vai ter de existir um novo concurso posteriormente. Daí termos pedido ao Ministério que, com urgência, divulgue as listas de colocação do passado dia 12. Ninguém neste momento conhece em que escola e com que horário e que professores foram colocados. Isto é uma situação extremamente grave porque isto é um concurso público», afirmou à Lusa.

Para a Associação a solução seria muito clara: colocar os professores pela sua graduação principal e deixar de parte os subcritérios.

Um erro na «harmonização de escalas» na fórmula matemática usada para calcular a classificação dos professores nas listas de colocação, criada este ano para dar resposta às necessidades destes estabelecimentos de ensino com contrato de autonomia e escolas TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), levou a que o Governo tenha decidido dar mais uns dias para a clarificação de alguns critérios por parte dos candidatos.

Os erros levaram o ministro da Educação, Nuno Crato, a pedir desculpa, no parlamento, na semana passada, bem como ao pedido de demissão do diretor-geral da Administração Escolar, Agostinho Pereira.

Estes serviços do MEC foram diretamente responsabilizados pelo ministro da Educação no parlamento, pelos erros na fórmula de cálculo das listas de colocação de docentes através da Bolsa de Contratação de Escola (BCE).