O presidente da Associação Académica de Coimbra defendeu esta segunda-feira que a Acção Social Escolar no ensino superior «está a falhar», havendo cada vez mais estudantes a pedir ajuda a outras entidades, noticia a Lusa.

Em declarações à Lusa, Jorge Serrote afirmou que «a Acção Social Escolar (ASE) no ensino superior está a falhar para os estudantes com mais dificuldades económicas, levando-os a pedir ajuda à própria associação de estudantes».

«Muitos deles recorrem cada vez mais à associação, porque a bolsa de estudo é-lhes dada tardiamente ou porque não têm dinheiro para pagar as contas ao longo do mês», adiantou.

Segundo Jorge Serrote, cada vez há mais alunos a recorrer a empréstimos bancários para fazer face às despesas. «No entanto, esse não deve ser o caminho a seguir, porque só estão a contribuir mais para o seu endividamento, quando deveriam ser assistidos por bolsas de estudo», defendeu.

A crise fez disparar o número de candidatos a bolsas de estudo na maioria das universidades públicas e todos os dias chegam aos serviços sociais das instituições novos pedidos para aumentar o valor do subsídio.

Aumento de pedidos de ajuda

«À medida que a crise se vai agravando vão aumentando as famílias desempregadas ou com dificuldades e obviamente essa situação reflecte-se na vida dos estudantes. Este ano, recebemos um aumento significativo de candidaturas», disse à Lusa o administrador dos Serviços de Acção Social (SAS) da Universidade de Coimbra, Luzio Vaz.

Em Coimbra, este ano candidataram-se à bolsa de estudo mais 324 alunos do que no anterior. No total, deram entrada 6.156 pedidos de apoio financeiro, mas todas as semanas continuam a chegar «bastantes processos a solicitar o aumento da ajuda", segundo o responsável.

Universidade da Beira Interior

Na Universidade da Beira Interior, a situação não difere muito, segundo Luís Coelho, presidente da Associação Académica da universidade. «Fala-se cada vez mais nesses alunos com dificuldades e esses casos sempre existiram, apesar de, ultimamente, terem mais visibilidade», garante.

«Contudo, o reitor já fez saber que, para ajudar esses estudantes com problemas financeiros, há a possibilidade de os mesmos fazerem trabalhos dentro da própria universidade e ainda hoje tivemos alguns pedidos de informação nesse sentido», afirmou Luís Coelho.

Mesmos problemas no Porto

No Porto, Filipe Almeida, presidente da Federação Académica do Porto (FAP), não só confirma que há cada vez mais alunos a recorrerem a bolsas de estudo, como também revela atrasos nos pagamentos das mesmas.

«As candidaturas às bolsas têm crescido de ano para ano, há cada vez mais estudantes que têm de arranjar um emprego temporário ou a tempo inteiro para pagar as suas despesas», garantiu.

Os serviços de acção social da Universidade do Porto receberam este ano mais 547 candidaturas, mas o administrador atribui esta situação ao aumento do número de alunos a frequentar o ensino superior.

Algarve: dificuldade de emprego

Já no Algarve, a todas estas dificuldades junta-se a dificuldade em arranjar um emprego, ainda que seja em part-time, segundo Eduardo Gonçalo, presidente da Associação de Estudantes da Universidade: «Há muitos estudantes que querem trabalhar para conseguirem pagar as suas despesas, mas não conseguem tão facilmente como conseguem no Verão, por exemplo».

Tal como em Coimbra, também no Algarve houve um aumento dos estudantes carenciados: estão inscritos este ano 1.500 bolseiros, mais 200 do que no ano passado e o número de candidaturas passou de 1.800 para 2.100.