A maioria das escolas começa as aulas na quinta-feira, último dia da abertura oficial do ano letivo, segundo a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que lamenta a falta de operacionais técnicos.

O calendário de abertura oficial das escolas do ensino básico e secundário começou na passada sexta-feira e termina no dia 15, período durante o qual cerca de 1,2 milhões de alunos começam as aulas.

“A minha escola começa hoje e existem outras que também o vão fazer, mas a grande maioria só vai começar na quinta-feira”, contou à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima, explicando que as escolas optam pelo último dia para garantir que têm todos os docentes colocados.

De há muitos anos a esta parte, há muitos professores que chegam tardiamente às escolas e, como os diretores não querem arriscar, adiam o arranque letivo. Este ano, pela primeira vez desde que sou diretor escolar, os professores estavam todos colocados a 1 de setembro, o que nos surpreendeu pela positiva”, disse.

Também o presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Rui Martins, considera que “este ano as coisas estão a correr melhor”.

“Os professores já estão todos nas escolas e, ao contrário do que aconteceu antes, nenhum aluno vai ficar sem aulas. Esta situação dá uma maior estabilidade às escolas”, defendeu Rui Martins, que considera que agora é preciso diminuir o número de alunos por turma e aumentar o número de funcionários.

Filinto Lima partilha da mesma opinião: "As escolas vão abrir mesmo com falta de operacionais técnicos. É preciso olhar para as escolas com atenção. Se existe dinheiro para a Caixa Geral de Depósitos também tem de existir para contratar estas pessoas, que ganham o salário mínimo nacional", criticou.

Outro dos temas que a ANDAEP pretende debater é a possibilidade de substituir os três períodos atuais por apenas dois semestres: “Este ano, os alunos vão ter um primeiro período muito grande, com 67 dias de aulas. Depois têm um segundo período de 63 dias e finalmente o último período terá apenas 33 dias, no caso dos alunos do 9.º ano. Isto acontece porque estamos sempre dependentes do feriado móvel da Pascoa”.

Também a CNIPE defende que deveria haver um ajustamento da dimensão dos períodos de forma a ficarem mais homogéneos.

O ministro da Educação marcou o início do ano escolar na passada sexta-feira com uma visita ao Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, em Rio Maior, onde estudam cerca de 1.200 alunos.

Já esta segunda-feira, o governante afirmou, em Ponte da Barca, que o ano letivo começou com "serenidade e tranquilidade", sublinhando que os professores estão "todos colocados a tempo" e que a tutela renovou contratos com 2.900 de auxiliares.

O ano letivo 2016-2017 é marcado pela distribuição gratuita de manuais escolares às cerca de 80 mil crianças do 1.º ano do 1.º Ciclo.

Na quarta-feira, dia 14, cerca de 30 membros do executivo vão visitar escolas, numa iniciativa anunciada como uma homenagem à comunidade educativa.

Neste dia, o primeiro-ministro, António Costa, 15 ministros e 12 secretários de Estado voltam, na sua maioria, a uma das escolas em que estudaram.