Em Portugal, 14% dos alunos dizem sentir-se infelizes na escola e, segundo um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE), os estudantes menos felizes têm piores resultados académicos.

Este é um dos resultados de um novo estudo do Projeto aQeduto, uma parceria entre o CNE e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que comparou os resultados dos alunos de onze países europeus nos exames internacionais de Matemática (PISA) em 2003 e em 2012 e o sentimento de felicidade na escola, a perceção que os estudantes tinham sobre a indisciplina na sala de aula e a relação e apoio dado pelos professores.

Em Portugal, 14% dos alunos dizem sentir-se infelizes na escola, com resultados médios em PISA Matemática de cerca de 30 pontos inferiores aos dos seus pares que se sentem felizes”, releva o estudo, que será debatido, na segunda-feira, no 6º Fórum aQeduto sob o tema “Bons ambientes, bons alunos?”.

A agravar esta situação está o facto de a maioria dos alunos infelizes frequentar escolas de meios mais desfavorecidos e com piores resultados académicos.

Os investigadores analisaram também o impacto do relacionamento que os alunos têm com os professores e verificaram que existia uma ligação direta entre bom relacionamento e felicidade.

Em 2012, os alunos portugueses foram os que mais consideraram ter um bom relacionamento com os professores (86%) e cerca de 25% sentiam-se felizes na escola”, lê-se no estudo.

Na lista dos onze países europeus, as escolas portuguesas surgem em 5.º lugar com a maior percentagem de alunos felizes (25%), ultrapassadas apenas pelas espanholas (35%), as do Luxemburgo (30%) e as suecas.

Seguem-se as escolas da Dinamarca, Irlanda, França, Polónia, Holanda, República Checa e, por último, a Finlândia, onde apenas um em cada dez alunos é feliz na escola.

Os professores portugueses também surgem no topo de uma outra tabela, que analisa a perceção que os alunos têm do relacionamento com os docentes.

Portugal, juntamente com a Finlândia, são os dois países onde os alunos sentem mais apoio. Mas, na Finlândia, apesar de 85% dos estudantes considerar que podem contar com os professores, apenas 43% dizem ter um bom relacionamento e apenas 10% considera ser feliz na escola.

O ambiente escolar é mais problemático nas escolas frequentadas por alunos de famílias socioeconómicas desfavorecidas e com rendimentos escolares mais baixos, segundo os relatos dos diretores.

“Preocupações com muita indisciplina ocorrem em 20% destas escolas e 11% consideram a falta de respeito um impedimento às aprendizagens”, segundo o relatório do projeto aQeduto.

Segundo o estudo, mais de 14% destes diretores referem o consumo de drogas, 10% reconhece que o relacionamento entre alunos e professores não é fácil e é também nestas escolas que um em cada quatro alunos considera que as suas necessidades não são satisfeitas.

Já os alunos de escolas inseridas em meios sociais favorecidos têm melhores resultados escolares e, segundo os diretores, “apenas 26% destas escolas indicam a existência de indisciplina a níveis moderados e 7% referem alguma falta de respeito”.

 

Alunos portugueses acham-se mais disciplinados na aula, diretores dizem que não

Os alunos portugueses queixam-se menos de indisciplina na sala de aula, contrariando os diretores das escolas que consideram que a situação se agravou entre 2003 e 2012, revela um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE).

As respostas dos alunos indicam uma diminuição de indisciplina na sala de aula na maior parte dos países analisados: Portugal, Polónia, República Checa, Irlanda, Luxemburgo e Dinamarca.

As exceções são Espanha, onde a perceção dos alunos se manteve igual, quando comparados os dados de 2003 e 2012, e a Finlândia, França e Holanda onde aparecem agora mais alunos a queixarem-se de situações de mau comportamento na sala de aula.

O documento revela que, segundo a perceção dos alunos, em 2003, as salas de aula portuguesas eram as mais confusas, com quase metade dos estudantes (cerca de 47%) a considerarem que existia barulho.

Nove anos depois, a percentagem desceu para cerca de 30%, ficando muito próxima das situações registadas em Espanha, Luxemburgo, Irlanda e República Checa.

Os investigadores decidiram comparar esta perceção dos alunos com os resultados escolares e verificaram que nos países onde se verificou um aumento de indisciplina também houve um agravamento dos resultados nos testes internacionais de Matemática.

Em Portugal e na Polónia, as respostas dos alunos indicam uma redução de indisciplina, concomitantemente com a melhoria dos resultados PISA, entre 2003 e 2012”, revela o estudo que será debatido, na segunda-feira, no 6º Fórum aQeduto sob o tema “Bons ambientes, bons alunos?”.

No entanto, ao contrário da perceção dos alunos, a percentagem de diretores portugueses que considera existir indisciplina aumentou, passando de 35% em 2003 para 54% em 2012.

Para estes diretores, os comportamentos adotados pelos alunos prejudicam os seus resultados escolares: as situações de falta de respeito subiram de 15% para 35% e a indisciplina de 35% para cerca de 55%. Apenas a Finlândia registou uma evolução semelhante a Portugal, já que os diretores de todos outros países reportaram uma diminuição de mau comportamento.

Mas é também nestes dois países que os alunos dizem ter mais apoio por tarde dos professores, segundo o relatório do Projeto aQeduto: avaliação, equidade e qualidade em educação.

“A maioria dos alunos (65%) é da opinião de que os professores os ajudam. Portugal e Espanha lideram a satisfação com a ajuda prestada pelo corpo docente (83% e 85%, respetivamente)”, revela o estudo.

Se a perceção dos alunos em relação à ajuda dos docentes é boa, a dos diretores ainda é melhor: em Portugal nota-se um ligeiro aumento, apesar de se manter na zona dos 80%.