A EDP explicou que o corte de energia no Bairro do Lagarteiro, Porto, foi uma ação de combate à fraude, para pôr fim a algumas ligações indevidas e ao fornecimento de energia a clientes que não pagaram, disse esta quinta-feira a agência Lusa.

Os moradores do bairro do Lagarteiro, no Porto, estão «revoltados e tristes» com o «aparato policial» que envolveu o corte no fornecimento de eletricidade aos 13 blocos do complexo habitacional.

Em resposta enviada por escrito à agência, a EDP Distribuição explica que nos últimos anos «tem verificado uma tendência de crescimento das fraudes» e que para fazer face a este aumento, tem «vindo a reforçar as ações de combate à fraude e a mobilizar cada vez mais meios, criando equipas dedicadas atentas aos processos de controlo de sistemas e atividades de suporte».

«A ação de hoje no bairro do Lagarteiro, no Porto, teve a finalidade de efetuar o corte de algumas ligações indevidas bem como do fornecimento de energia elétrica aos clientes cujo pagamento não foi efetuado aos comercializadores com quem esses clientes tinham celebrado contrato», descreve o documento.

Na sequência desta ação, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda questionou o Governo, através do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, sobre se tem conhecimento desta questão e qual a medida «urgente» que o executivo vai tomar «para garantir que os habitantes do Bairro do Lagarteiro voltem a ter energia elétrica nas suas habitações».

«O Governo considera aceitável que pessoas em situação de emergência social fiquem sem acesso a energia elétrica? O Governo considera aceitável que a EDP corte a energia a habitações sem ter em conta se lá moram crianças, idosos, pessoas portadoras de deficiência ou doentes?», questiona o BE.

A EDP Distribuição recorda ainda que «existe uma tarifa social aplicável aos clientes de energia elétrica que se encontram numa situação de carência socioeconómica, devidamente comprovada pelos critérios atribuídos pelo sistema da Segurança Social».

«Nós não somos nenhuns marginais nem delinquentes», afirmou Fernanda Gomes, presidente da Associação de Moradores do Lagarteiro segundo a qual elementos da EDP foram acompanhados ao bairro por várias carrinhas de intervenção policial, criando uma situação «pior do que uma rusga».

A moradora contou ainda que os cortes de eletricidade foram feitos nos 13 blocos do bairro, sem conseguir especificar o número de habitações afetadas.