O editor e um dos fundadores da editora Livros Cotovia, André Jorge, de 71 anos, morreu hoje em Lisboa, disse à Lusa fonte editorial, sem adiantar pormenores.

André Fernandes Jorge fundou a editora em 1988 com o seu irmão, o poeta João Miguel Fernandes Jorge, que abandonou pouco tempo depois o projeto editorial.

Segundo o sítio da editora na Internet, André Jorge foi “responsável pela edição, pela primeira vez em língua portuguesa, de vários autores de renome internacional, e também pela descoberta e promoção de alguns autores rapidamente reconhecidos como os ‘novos’ da literatura portuguesa”.

Marcelo Rebelo de Sousa manifesta o seu pesar pelo falecimento do editor André Jorge, e realça que o editor “dedicou especial atenção aos géneros menos comerciais, como o ensaio, o teatro e a poesia”.

O Chefe de Estado recorda que André Jorge “publicou 'A ilíada' e 'A odisseia', [de Homero], literatura universal, o cânone brasileiro, [e] jovens escritores portugueses”.

A Cotovia assumia quatro “coleções centrais”, de Ensaio, Ficção, Poesia, e Teatro, e em colaboração com o grupo de teatro Artistas Unidos, publica a coleção "Livrinhos de teatro" e a revista Artistas Unidos.

Outras coleções são “Outono – Inverno”, sobre a terceira idade, Biografias, Curso breve de literatura brasileira, Sabiá, e a de Clássicos gregos e latinos.

Atualmente publica cerca de 40 títulos por ano e soma mais de 700 títulos de mais de 350 autores.

Continuamos a ser uma pequena editora, para um público leitor que sabe o que quer”, afirma a editora, que André Jorge não escondia ser um reflexo do seu gosto literário.

A.M. Pires Cabral, Agostinho da Silva, Frederico Lourenço, Teresa Veiga, Daniel Jonas, Luísa Costa Gomes, Luís Quintais, Paulo José Miranda, Jacinto Lucas Pires, António Pinto Ribeiro, Eduarda Dionísio, o angolano Ruy Duarte de Carvalho e os brasileiros André Sant'Anna, Bernardo Carvalho, Carlito Azevedo e Marcelo Mirisola, são alguns dos autores que publicou, ao lado de Martin Amis, Virginia Wolf, Roberto Calasso, Doris Lessing e Natalia Ginzburg, entre outros.

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, enalteceu o "legado literário" deixado pelo editor André Jorge, um dos fundadores da editora Livros Cotovia, que morreu, aos 71 anos.

Em comunicado, o ministro sublinha que esse "legado literário está demonstrado no valor do catálogo que [André Jorge] publicou ao longo das últimas décadas", estendendo o voto de condolências a todos os "autores que cresceram na Cotovia".