O antigo candidato comunista às presidenciais Edgar Silva teve de fugir de casa e diz que há centenas de pessoas deslocadas para a baía do Funchal, criticando as autoridades por "mentirem às pessoas".

Edgar Silva relatou à agência Lusa que se refugiou junto ao mar, na praia da Barreirinha, extremo oeste da baía do Funchal, e afirmou que consigo estão cerca de 200 pessoas.

Na zona velha, junto ao mar, há entre 400 e 500 pessoas, sobretudo turistas, sem qualquer tipo de informação, completamente desnorteados, não têm para onde ir, pessoas que estavam aqui na zona velha e não sabem como regressar ao hotel, perderam todos os apoios”, explicou.

Edgar Silva sublinhou que “até ao momento” não houve qualquer contacto com as pessoas para saber o que precisam.

“Ao longo da tarde, os membros do Governo, da Câmara Municipal do Funchal, da Proteção Civil afirmarem que a situação estava controlada. Quando acabaram de dizer que estava sob controlo na zona de Santa Luzia, tivemos de fugir, não havia bombeiros, nem polícia, nem socorro”, afirmou Edgar Silva, que teve de fugir da sua casa, na zona de Santa Luzia, devido ao fogo.

Segundo Edgar Silva, a situação, “ao contrário do que disseram durante toda a tarde, não estava controlada, era tudo mentira”.

“Os dispositivos de segurança, de socorro, não estão a altura da dimensão destes problemas e não pediram socorro, não pediram reforço de meios, não pediram, como deveriam, a tempo. Se tivessem sentido de responsabilidade, uma intervenção atempada de reforços a nível nacional para responder a esta calamidade”, sublinhou Edgar Silva.

“No centro da cidade há um descontrolo completo”, lamentou.

A Madeira ativou o plano de emergência e pediu reforços ao continente para combater os incêndios que estão a assolar a ilha de forma preocupante, pedido aceite pelo Governo, confirmou o primeiro-ministro, nesta terça-feira, em conferência de imprensa na Proteção Civil, em Carnaxide. 

Inicialmente, a força especial era constituída por 36 profissionais - dez bombeiros, dez elementos da Força Especial Bombeiros (FEB) da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), dez elementos do Grupo de Intervenção Proteção e Socorro da GNR (GIPS), cinco elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e três elementos de apoio da ANPC -, mas foi reforçada com mais elementos, totalizando agora 110 operacionais.

Por volta das 22:30, saiu de Lisboa, num avião da Força Aérea, a primeira equipa de 36 elementos. Mais duas vão partir de Lisboa nas próximas horas, durante a madrugada, em mais dois aviões da Força Aérea, com 74 operacionais a bordo.

O Governo mobilizou, ainda, elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, fazendo ainda parte das equipas outros bombeiros voluntários e profissionais, assim como médicos, enfermeiros e psicólogos do INEM.

Além da força especial, vai seguir também equipamento de ajuda ao combate.

O fogo está novamente descontrolado e, segundo o último balanço oficial, há mais de 170 feridos hospitalizados e 27 casas inabitáveis.

O vento forte e as elevadas temperaturas fizeram com que o fogo que lavra nas zonas altas do concelho do Funchal desde a tarde de segunda-feira descesse até ao centro da cidade, provocando algum caos e pânico entre a população.

trânsito está caótico, com muitos congestionamentos na baixa do Funchal. A via rápida esteve encerrada, mas já reabriu ao trânsito. Condicionadas estão as entradas da cidade, onde o trânsito está caótico.

A via rápida foi encerrada entre o nó da Cancela (parte este da cidade) e Santo António, nos dois sentidos.

Alguns prédios devolutos situados na zona histórica do Funchal estão a arder, disse à agência Lusa o chefe de gabinete do presidente da câmara, que se encontra no local, bem como o autarca Paulo Cafôfo.

Miguel Iglésias contou que às 21:40 estavam a decorrer operações no centro da cidade, onde existem "prédios devolutos a arder", não referindo a existência de vítimas.

O fogo chegou à zona da igreja de São Pedro, na baixa, depois de ter consumido um edifício devoluto, confirmou a Policia de Segurança Pública.

Na zona da Pena há várias casas a arder e três viaturas de uma empresa de construção civil estão a tentar ajudar e a jogar água nas casas, constatou a agência Lusa no local.

Também se veem algumas pessoas a abandonar as suas casas no centro do Funchal, levando malas e animais.

Os relatos dão conta de um “cenário dantesco” e de uma situação“completamente descontrolada”, com muitos focos ativos espalhados pela cidade, entre os quais o Til, Rochinha, Penteada, sendo audível o som de algumas explosões.

Está também a ser muito difícil respirar no Funchal, devido ao tempo quente e ao denso fumo, com as pessoas a usarem máscaras. Têm sido audíveis várias explosões, depois de a situação se ter agravado ao final da tarde.