Sara Barrocas Alves, 30 anos. Nasceu em Setúbal e vive em Azeitão. É bancária, mãe, esposa e desde os oito anos que se dedicada a uma paixão que se sobrepõe ao retorno monetário.



À parte da sua vida privada, Sara dedica-se com alma aos que fazem (também) parte da sua família. É voluntária e presidente da Associação Sobreviver - Associação de Defesa Animal de Setúbal e fundadora de um hotel low-cost para gatos, o 'Aqui há Gato', na vila de Azeitão.



É certo que o quotidiano é uma correria e que a crise tem obrigado o dinheiro a ser contado até ao último cêntimo, mas há quem invista noutros projetos, um pouco também para ajudar quem precisa. «Um dos objetivos do 'Aqui há gato' é ser um hotel acessível a todas as famílias e ser uma solução na ausência dos donos. E o hotel pratica valores acessíveis, qualquer pessoa pode resgatar um animal e apenas suportar as despesas básicas», salienta Sara.



A fundadora deste espaço, passado já um ano da abertura ao público deste projeto, mostra-se orgulhosa e motivada. Investiu algumas poupanças e garante «está a correr bem». O espaço tem sido muito procurado para por quem quer apadrinhar um animal (neste caso retirar das ruas e colocar em hotel), mas também para quem quer descansar e não tem onde deixar o seu animal de estimação. Com a crise, muitas pessoas também têm deixado o país e recorrem a esta opção de alojamento.

Espreite aqui o site do «Aqui há gato».



Retorno emocional e voluntariado



E quando o retorno é apenas emocional falamos de voluntariado. Os abandonos de animais são cada vez mais frequentes, especialmente nestes tempos de crise que Portugal atravessa. O espelho disso, ao longo já de 11 anos, é a Associação Sobreviver.



A Sobreviver conta com uma equipa de 20 voluntários que se organizam entre si. Tem atualmente, cerca de 200 animais - entre cães e gatos - e vive sobretudo de donativos e de cotas de associados, não recebendo nenhum subsídio de nenhuma entidade. «Fazemos todo o tipo de eventos e ações (campanhas, concertos, peças de teatro e feiras) para suportar os gastos mensais fixos, que rondam os 2.200 euros».



Mas nem tudo são «histórias tristes» na Sobreviver. Apesar dos tempos difíceis, ainda há quem adote, há quem vá procurar a associação para ir buscar o seu melhor amigo. «Só no ano passado conseguimos realizar 158 adoções, este ano vão em 13 até ao momento».



E para quem quer adotar, o processo é simples: «após o contacto do interessado, é feita uma triagem telefónica e marcação de uma visita a casa na companhia dos animais que correspondem às características pretendidas pelo potencial adotante», explica Sara. Note-se que a morada da associação é confidencial para evitar o abandono perto ou á porta da instituição.



A associação, mesmo depois da adoção, garante o apoio a quem precisar. Sara Alves explica que, «nem sempre conseguimos acompanhar os animais da forma como gostávamos, mas em caso de necessidade damos sempre todo o apoio aos animais que damos, inclusive recebemo-lo de volta caso a família o queira devolver, situação que é frequente após a fase de cachorro».



Pode consultar aqui a página da Sobreviver e não se esqueça destes conselhos: «Não vire as costas. Ajude, um pequeno gesto pode fazer a diferença e não menos importante, antes de adotar um animal reflita».